Presidentes faltam a encontro e irritam Lula

A defecção de sete dos oito presidentes da região amazônica convidados para o encontro de Manaus irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com desculpas variadas, a maior parte dos convidados frustrou um convite pessoal do presidente e revelou, na opinião do governo brasileiro, o interesse que há na região pelo tema mudanças climáticas: nenhum.

Agência Estado |

A intenção era reunir os líderes da região para acertar uma posição comum sobre as mudanças climáticas e, principalmente, as compensações para se evitar o desmatamento da floresta amazônica, com o objetivo de levar uma posição comum para a Conferência Mundial sobre o Clima, em Copenhague no próximo mês. O texto ainda sairá, mas a omissão dos presidentes mostra que a força do que será dito é pouca.

"É evidente que diminuiu a importância (do encontro), é óbvio. Eu não poderia dizer outra coisa", reconheceu Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais. "Mas não tira a força porque as pessoas que estão aqui falam em nome de seus governos".

Apesar do Brasil não precisar de apoio da região para defender suas posições em Copenhague, a ausência de praticamente todos os presidentes da região - apenas Bharrat Jagdeo, da Guiana decidiu comparecer - deixou Lula em uma situação constrangedora.

Pessoalmente interessado em levar a voz da Amazônia para Copenhague, o presidente se empenhou em convidar pessoalmente seus colegas para o encontro, incluindo o outro chefe de Estado presente, o francês Nicolas Sarkozy. O resultado do encontro foi a demonstração patente de que nenhum dos presidentes da região tem o assunto como prioridade.

Na abertura da reunião da tarde, que deverias ser de Cúpula, Lula ainda teve que explicar a ausência de seus colegas. Começou agradecendo a participação de Sarkozy e Jagdeo, mas a lista de escusas foi bem maior.

A desculpa apresentada pelo presidente colombiano foi um machucado na perna, resultado da queda. Seu médico o teria aconselhado a não viajar de avião pelo risco de uma embolia. Já Chávez alegou que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, teria estendido sua visita a Venezuela - na verdade ele foi embora nesta manhã - e que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, estaria chegando à tarde ao País - o venezuelano foi o último a cancelar.

Evo Morales disse não querer se ausentar por conta das eleições, que ocorrem em dezembro; Rafael Correa, está na Bélgica, Alan Garcia, do Peru, não pode sair do país e o presidente do Suriname, Ronald Venetiaan, que já foi até mesmo buscado por um avião brasileiro para participar de outros encontros, também alegou problemas de agenda. No final do encontro, até mesmo a foto oficial foi cancelada.

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