MONTEVIDÉU (Reuters) - O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, anunciou sua renúncia ao Partido Socialista (PS) após ser criticado por ter vetado uma lei que descriminaliza o aborto, disse nesta quinta-feira uma fonte do partido. A renúncia, apresentada há alguns dias a um grupo que integra o partido de esquerda do governo, ocorreu logo após um congresso do Partido Socialista rejeitar o veto de Vázquez e decidir apresentar um novo projeto de lei para descriminalizar o aborto.

"O comunicado (da renúncia) tem alguns dias. É uma decisão dolorosa, tanto para o presidente quanto para nós, e faremos todos os esforços para que ele desista dessa renúncia", disse à uma rádio local a senadora socialista Mônica Xavier.

Vázquez, um médico oncologista integrante do PS desde a década de 1980, formalizou seu veto à lei de descriminalização do aborto alegando que a prática é um atentado contra vida e a liberdade de consciência.

A lei havia sido aprovada no Congresso com os votos da esquerda, apesar de o presidente já ter alertado que a vetaria.

A Assembléia Geral do Congresso tentou anular o veto do presidente, mas não conseguiu os votos suficientes, uma vez que os parlamentares dos partidos de centro direita da oposição apoiaram o veto de Vázquez.

(Reportagem de Conrado Hornos)

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