O presidente interino da Assembléia de Alagoas, Alberto Sextafeira (PSB), renunciou hoje ao cargo, deixando a Casa sem comando. O anúncio da renúncia foi feito logo após a abertura da sessão pública que debateu a redução do duodécimo da Assembléia Legislativa.

Além de Alberto Sextafeira, também deixaram os cargos as deputadas Flávia Cavalcante (PMDB) como segunda vice-presidente e Cáthia Lisboa Freitas (PMN) como terceira.

Dos dez integrantes da atual Mesa Diretora da Assembléia, seis estão afastados das funções por decisão Judicial, entre eles, o presidente Antônio Albuquerque (sem partido), que foi expulso do DEM e é apontado pela Polícia Federal (PF) como o chefe da organização criminosa que desviou R$ 280 milhões do Legislativo. Com as três renúncias e os seis afastamentos, na ordem de sucessão, o único integrante da Mesa que sobra é o deputado Zé Pedro da Aravel (PMN), que deverá assumir a presidência.

A assessoria de Zé Pedro Aravel informou que ele não aceita ser presidente dele mesmo e, por isso, deve convocar uma nova eleição para a formação de uma nova Mesa. Ele é o deputado mais velho do Parlamento e quase não fala. Ao longo deste mandato, Zé Pedro Aravel só usou a tribuna uma vez para esclarecer que não tinha tomado dinheiro emprestado com aval da Casa. O deputado do PMN de Alagoas é dono de uma das maiores concessionárias de carros do Estado, com sede em Arapiraca, e é conhecido por emprestar dinheiro a juros, mas não foi indiciado pela PF na Operação Taturana.

Antes de renunciar, o presidente interino da Assembléia Legislativa de Alagoas disse que sai, mas está disposto a voltar à presidência, desde que seja com uma nova composição. "Tenho certeza de que, de uma forma ou de outra, encontraremos um caminho para a construção de uma nova Assembléia", afirmou. "Muitas vezes, a gente põe nossas vidas em jogo. Não quis maquiar absolutamente nada neste período em que estive presidente. Por isso, a emoção. Porque já estou com 54 anos, sou alagoano e fui eleito pelo povo", afirmou Alberto Sextafeira, que chorou ao renunciar.

Entusiasmo

A renúncia foi comemorada com entusiasmo por manifestantes que lotaram o plenário, mobilizados pelo Movimento Social Contra a Criminalidade em Alagoas (MSCC). Integrantes do movimento participaram da sessão pública e debateram os deputados o duodécimo da Casa. Os líderes do MSCC - que é formado por sindicatos, movimentos sociais e entidades da sociedade civil organizada - questionaram os números apresentados por Sextafeira, referentes às despesas do mês de março, e exigiram a redução imediata do duodécimo do legislativo alagoano.

Além de Sextafeira, participaram da sessão pública as deputadas Flávia Cavalcante (PMDB) e Cáthia Lisboa (PMN) e os deputados Judson Cabral e Paulo Fernando dos Santos - o Paulão (ambos do PT). Também estiveram presentes o secretário de Gabinete Civil, Álvaro Machado, e o secretário estadual de Planejamento, Sérgio Moreira. Antes do encontro, Moreira voltou a lamentar o arquivamento do projeto de lei do executivo que propunha a redução do duodécimo em R$ 30 milhões.

O advogado Everaldo Patriota, integrante do MSCC, afirmou que a Assembléia "está acéfala". "Tem de começar do zero. Tudo o que está acontecendo demonstra comprova os excessos. Os deputados não podem continuar insensíveis aos reclames da população. O Poder Legislativo não pode continuar recebendo um repasse muito alto de dinheiro, enquanto o povo passa fosse. Os problemas independem de quem venha a assumir o cargo", afirmou Patriota, que é integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

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