Presidente do Incra questiona lista dos 100 maiores desmatadores da Amazônia

BRASÍLIA - O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hachbart, questionou nesta segunda-feira a lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente que aponta o Incra como o maior responsável pelo desmatamento na região da Amazônia Legal, entre 2006 e 2008. Juntos, os assentamentos do Incra foram responsáveis por mais de 220 mil hectares de devastação da Amazônia, área equivalente a 220 mil campos de futebol.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

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Hachbart alega que os assentamentos listados pelo ministério do Meio Ambiente são antigos, da época que a área de preservação da Amazônia Legal era de apenas 50% e não 80%, como é hoje.

Ele observa também que, no final da década de 90, o modelo de produção agrícola no Mato Grosso, onde estão localizados os assentamentos que mais desmataram a floresta, era a monocultura de grãos, o que também pode ter contribuído para a devastação da região. A minha hipótese é que esse desmatamento ocorreu em 1998, esses dados não se referem à data atual, disse.

Ao todo, segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Incra deverá pagar R$ 258 milhões em multas ambientais ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela área desmatada dentro da Amazônia Legal. Rolf Hachbart afirma que recorreu de todas as multas.

Por ora, o Incra não divulgará resposta oficial aos dados do Ministério do Meio Ambiente.

Combate ao desmatamento

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também anunciou nesta segunda 12 medidas para combater o avanço do desmatamento na área da Amazônia Legal. Além da divulgação da lista com os 100 maiores agentes de desmatamento da floresta, Minc pretende criar a Força Federal de Combate aos Crimes Ambientais.

Segundo o ministro, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está de acordo com a proposta e, em janeiro, deve enviar ao Congresso Nacional uma medida provisória criando o comando para operações ambientais. O efetivo será inicialmente  de três mil agentes, chamados oficiais ambientais federais.

Outra medida contra o desmatamento foi batizada por Minc de Comitê Interministerial de Combate ao Desmatamento (Cide). O grupo terá a participação do ministério do Meio Ambiente e de outros cinco ministérios, entre eles o da Casa Civil e o da Justiça, e se reunirá a cada dois meses para acertar medidas de intervenção em políticas que respondam ao avanço do desmatamento na Amazônia.

O ministério também pretende continuar ações de retirada de bois piratas (gado em propriedades ilegais) em áreas de preservação ambiental, com próxima ação prevista para meados de outubro, em Rondônia.

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