Presidente do CNA critica governo e IBGE

Ao divulgar nesta terça-feira os dados da pesquisa feita pelo Ibope sobre o assentamento agrário brasileiro, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO) não poupou de críticas os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário, da Educação e do Trabalho. Ela também criticou a metodologia usada em estudo semelhante pelo IBGE, alegando que a instituição buscou criar intrigas entre os grandes e pequenos produtores rurais. Para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rofl Hackbart, o que a CNA quer é dizer que a reforma agrária não é mais necessária. E nós sabemos que a reforma é um caminho para desenvolver o país de forma sustentável.

Redação com agências |



Waldemar Barreto/Agência Senado
Kátia Abreu discursa no plenário nesta terça
Kátia Abreu discursa no plenário nesta terça

"O IBGE demorou mais de um ano para divulgar uma pesquisa, que retratou a grande propriedade como se fosse a vilã", afirmou. De acordo com a senadora, o ganho de escala no campo é tão importante ao da indústria e do comércio, daí o fato de a concentração de terras dever ser encarada como algo natural. "Quando vejo o (a rede de supermercados) Carrefour chegar a uma cidade, sei, infelizmente, que os pequenos mercados vão acabar", comparou.

A presidente da CNA alegou que a instituição, ao contrário do que se pensa, também representa os pequenos produtores. "O IBGE cometeu um erro e criou uma disputa boba. Chega a ser ridículo. Criaram uma competição imbecil, desnecessária. Não sei o que quiseram provar com tudo isso", disparou.

"Aqui na CNA temos 1,2 milhão de associados e 56% são pequenos, que hoje estão na contagem do IBGE como agricultura familiar", continuou. Ela também criticou o fato de haver duas pastas para tratar do assunto. "Só no Brasil existem dois ministérios da Agricultura", disse, referindo-se aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.

Críticas

Para o Meio Ambiente, sobraram alfinetadas da senadora a respeito da impossibilidade de se construir banheiros em áreas de assentamento por conta da questão ambiental. "Há assentamentos em que 100% não têm banheiro. Há problemas de caráter ambiental, que não liberam a sua construção. É um problema grave", comentou.

Kátia Abreu também criticou a atuação do Ministério da Educação, alegando que as escolas da área rural não fazem parte do levantamento nacional sobre o rendimento dos alunos e qualidade das instituições. "A nossa impressão é a de que os índices nacionais podem ficar prejudicados. Situação é de quase calamidade", avaliou, acrescentando que os professores não querem trabalhar na zona rural.

A presidente da CNA reclamou também da falta de qualificação dada pelo governo aos assentados. "De toda a arrecadação da CNA, 20% obrigatoriamente vai para o Ministério do Trabalho e não há cursos de qualificação voltados a esse setor", disse.

Incra

Apesar de não contestar os números do Ibope, o presidente do  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, anunciou que até o final do ano o órgão terá os resultados de um levantamento que está sendo feito pela área técnica para ter dados precisos sobre a produção nos assentamentos.

Quero reafirmar que a reforma agrária produz muitos alimentos. O censo agropecuário, que pesquisou todos os estabelecimentos do país, mostra que a agricultura familiar detém 24% da área total e produz 40% do valor bruto da produção agropecuária brasileira. Fico com o censo e não com o Ibope, que pesquisou mil famílias. Temos 1 milhão de famílias assentadas no Brasil inteiro em 80 milhões de hectares. A amostra é insuficiente, afirmou Hackbart, em entrevista coletiva.

O interessa da CNA é dizer que a reforma agrária não é mais necessária. E nós sabemos que a reforma é um caminho para desenvolver o país de forma sustentável, acrescentou Hackbart.

O dirigente do Incra citou exemplo de assentamentos que têm algumas produções como um localizado em São Miguel do Oeste (SC), onde se produz 330 mil litros de leite por dia. "Isso não é nada?", questionou. "Nós não estamos num estágio da reforma agrária em que se possa medir o sucesso do processo pela produção ao mercado", completou.

* Com Agência Brasil e Agência Estado

Leia também:

Leia mais sobre assentamento agrário

    Leia tudo sobre: cnaibopekatia abreumstruralistas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG