Presidente de CPI ouvirá mães de vítimas de pedofilia

Famílias de crianças vítimas da rede de pedofilia de Catanduva, no interior paulista, vão se queixar aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado de supostas irregularidades na condução dos inquéritos abertos pela Polícia Civil para apurar o caso. O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI, disse que estará no município para ouvir as mães e as autoridades sobre o assunto.

Agência Estado |

"Neste sábado ou segunda vou até a cidade, acompanhado de um integrante da CPI para me inteirar da situação. Depois, vamos chamar todo os envolvidos para serem ouvidos na CPI em Brasília."

As mães reclamam que não puderam acompanhar seus filhos no reconhecimento de ontem e que não tiveram cópias dos depoimentos prestados. Elas também denunciaram aos jornalistas o sumiço de provas dos abusos, como fotos em que crianças da cidade apareciam nuas, e de depoimentos dados pelas crianças, que desapareceram de um dos inquéritos.

Outra reclamação é sobre a falta de amparo social dado às famílias. "De tanto faltar no meu emprego para cuidar da minha filha meu patrão me mandou embora", disse uma das mães. Outra denuncia é de que dois reconhecimentos (de um médico) feito por duas crianças teriam sido descartados.

As notícias de suspeita de irregularidades nas investigações em Catanduva também chamaram atenção do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que está acompanhando o caso e deverá enviar uma comissão para a cidade, informou Ariel de Castro Alves, conselheiro da entidade. Segundo ele, o Conanda já comunicou a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e pediu informações sobre o assunto para o governo do Estado.

Acompanhamento

Hoje, as denúncias fizeram o Ministério Público (MP) designar dois promotores para acompanhar o inquérito. "Estamos ainda nos inteirando dessas denúncias e na segunda-feira teremos informações para dar a respeito", disse a promotora Noemi Corrêa. A juíza da Infância e da Juventude de Catanduva, Sueli Juarez Alonso, decidiu não dar mais entrevistas. Ela ouviu hoje as dez crianças que fizeram reconhecimento e pediu às mães para evitar a imprensa.

O delegado Luís Fernando Camargo da Cunha, da 5ª Corregedoria Auxiliar da Polícia Civil, disse que as denúncias já são frutos de investigação. "Temos uma delegada que está na cidade e que nos próximos dias vai percorrer os bairros para ouvir as mães, pais, testemunhas, vítimas e autoridades para apurar como as investigações policiais estão sendo conduzidas", disse. Segundo ele, a iniciativa foi tomada por conta própria pela Corregedoria depois de acompanhar o noticiário sobre o assunto. "Foi um ato tomado de ofício", afirmou.

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