Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj visita jovem queimado

RIO DE JANEIRO ¿ O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado estadual Alessandro Molon (PT), visita na tarde desta sexta-feira, no Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, o jovem de 16 anos que disse ter sido torturado por três soldados do Exército em um quartel da Vila Militar, em Realengo, na última quarta-feira.

Redação |

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Segundo a denúncia, o adolescente teve 70% do corpo queimado pelos militares após ser flagrado fumando maconha dentro do quartel com um amigo. Eles teriam pulado o muro de uma área desativada da unidade para usar a droga. De acordo com o adolescente, o amigo conseguiu fugir, enquanto ele teria sido agredido e levado choques. Logo após, os soldados teriam jogado um ácido sobre seu corpo e ateado fogo.

O Centro de Tratamento de Queimados (CQT) do Hospital Estadual Pedro II informou que o estado de saúde do jovem de 16 anos é regular e ele não corre risco de morte. No entanto, ele pode perder a visão do olho esquerdo.

AE

Jovem teve 70% do corpo queimado, mas não corre risco de morte

Investigação

Nesta quinta-feira, o deputado estadual Alessandro Molon entrou em contato com o coordenador-geral de Combate à Tortura da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Pedro Montenegro, solicitando a abertura de um procedimento para a investigação do caso. De acordo com a assessoria de Molon, Montenegro se comprometeu a abrir o processo.

É uma aberração que soldados do Exército Brasileiro façam uma barbaridade desta com um jovem que foi encontrado cometendo um delito. A sociedade não pode permitir que autoridades se comportem como bandidos. Se eles estivessem preocupados em fazer valer a lei, teriam conduzido o jovem à delegacia e não o torturado, declarou o parlamentar.

Em nota, a assessoria do Comando Militar do Leste (CML) disse que foi instaurado um inquérito policial-militar (IPM) pela 9ª Brigada de Infantaria Motorizada para investigar o ocorrido. Segundo a nota, os soldados usaram spray de pimenta ao se depararem com dois invasores, às 15h30, e liberaram o jovem por volta das 16h.

OAB-RJ

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ) informou que vai acompanhar o inquérito instaurado pela 33ª DP (Realengo). A presidente da comissão, Margarida Pressburger, afirmou que a OAB-RJ está à disposição da família do rapaz para prestar assistência jurídica.

É a segunda vez, este ano, que militares do Exército se envolvem em crimes violentos, lembrou Margarida, relacionando com o episódio do Morro da Providência, em que foram assassinados três rapazes.

"Esperamos que as autoridades identifiquem os responsáveis por esse novo crime. Tortura é crime hediondo e inafiançável e a OAB vai acompanhar de perto essa investigação", finalizou.

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