Presidente da Associação Mundial de Jornais critica Google

Entidade defende controle de material jornalístico na rede e pede respeito a direito autoral

iG Rio de Janeiro |

O presidente da WAN (Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias), Gavin O’Reilly, chamou o Google de “cleptomaníaco” por usar notícias de empresas de jornalismo sem pagar por elas, esta tarde, no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, no Rio. Com base no direito autoral, O’Reilly defendeu o controle de material jornalístico na internet, porque, segundo ele, “conteúdo gratuito custa caro”.

“O conteúdo ainda é rei. Somos muito bons em criar conteúdo e extremamente ruins em dar valor a esse conteúdo. (...) O Google fala como se tivesse o imperativo moral de salvar os jornais. Não precisamos de ajuda, queremos que o Google seja mais transparente. Eles ganham US$ 190 bilhões após apenas dez anos de um modo engenhoso, que não exige pagar. São cleptomaníacos. Eles não devem presumir que o nosso conteúdo é deles”, afirmou O’Reilly, em painel sobre “O Futuro da Mídia Digital”.

A WAN defende a adoção de um protocolo automatizado de acesso a conteúdo (ACAP, na sigla em inglês), que estabeleça parâmetros de uso de notícias na internet, já assinado por 1.600 empresas de comunicação. A briga começou há cerca de três anos, impulsionada pelo “Google News”, mecanismo do site de busca que agrega notícias de outras páginas de conteúdo.

“Direito autoral não é nada abstrato, é a lei. Ou o abandonamos na internet ou encontramos uma maneira de fazer isso. Reconhecemos que o Google e o Yahoo amplificam a repercussão e que são líderes mundiais, mas não são infalíveis. Todos precisamos aceitar que nosso conteúdo é valioso e precisamos dar passos para proteger os nossos direitos autorais”, disse O’Reilly.

“Eles [Google] perguntam: ‘Não estamos dando visitantes?’ Por que eu devo ser obrigado a aceitar o modelo de negócio deles? A atividade de fazer notícias é caríssima. Nosso conteúdo é valioso e se baseia em direitos autorais.”

‘Demonizar o Google está na moda’, diz diretor do site

O diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios para a América Latina do Google, Rodrigo Velloso, que estava no mesmo painel, ironizou as declarações de O’Reilly e afirmou que "a demonização do Google está na moda”. 

“Peço desculpas pelo aroma de enxofre que eu possa exalar... Eu visto a carapuça. Como já esteve na moda demonizar a Microsoft e, em algum tempo, estará na moda demonizar o Facebook", disse. De acordo com ele, “o Google respeita o direito autoral e vamos trabalhar em parceria quando convier às duas partes". 

Para o suíço Moritz Wuttke, CEO e fundador da Nextmedia Initiaves – que participou da mesa do congresso sobre “Cases de Publicidade eficiente em novas mídias da indústria jornalística” –, o Google reproduz conteúdo sem ter permissão. “Eles [Google] dizem que não são maus, mas são, sim”, afirmou o suíço Wuttke.

Para André Iazy, presidente do Yahoo Brasil, sua empresa e o Google tem o objetivo de “organizar e facilitar o acesso de informações às pessoas”. 

“Não queremos nos apropriar. Não diminuímos o valor do conteúdo, fazemos o contrário, gerando grande tráfego. Em vez de diminuir, aumenta o valor da notícia”, disse Iazy. 

Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor-geral de Consumo e Online da Microsoft no Brasil, concorda e diz que esses sites “aumentam a relevância do anunciante e do conteúdo”. 

Para O’Reilly, há resistências ao controle de informação na rede porque “qualquer tecnologia vai – aos olhos do Google, Microsoft ou Yahoo –, restringir a liberdade que eles têm até agora. Entendo a posição deles de querer manter tudo como está. O que dizemos é: as empresas de comunicação veem um problema nisso. Não basta que digam: ‘Ah, nós apoiamos direito autoral’, eles precisam demonstrar isso.”

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