O debate político em torno de um novo marco regulatório para o setor de petróleo ainda está contaminado por dúvidas e, qualquer que seja a solução, o novo modelo deve atender o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: projetá-lo no futuro, principalmente na campanha eleitoral para sua sucessão em 2010, como o presidente que soube utilizar essa riqueza natural para transformar as desigualdades sociais do País e promover avanços significativos nas áreas de educação e de desenvolvimento científico e tecnológico.

Ao desafio de se definir a fonte de financiamento para investimentos que podem somar US$ 600 bilhões nos próximos 30 anos - cálculos privados que são referendados pelo governo - se somam questões complexas e uma forma de pensar o país que o presidente Lula não abandonou e não pretende abandonar facilmente.

Ele idealiza uma solução para a área do pré-sal que não repita outros momentos da história em que as riquezas naturais foram "expropriadas" do País, disse uma fonte do governo. "O pré-sal pode não ser uma panacéia para os problemas nacionais. Mas não se deve repetir o que aconteceu com o Pau Brasil e com o ouro de Minas Gerais, que foram levados embora do País", afirmou a fonte.

Não se trata, segundo esse interlocutor, de uma questão ideológica. "O presidente não é ideológico. Ele é pela cobrança de resultados", disse.
Depois de uma série de reuniões da Comissão Interministerial - ela foi criada no dia 28 de julho com o desafio de apresentar uma proposta no prazo de 60 dias - os ministros tentam concluir o trabalho no prazo. Lula quer receber as propostas na terceira semana de setembro.

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