Presa em Pernambuco quadrilha especializada em fraudar concursos

RECIFE e JOÃO PESSOA - O presidente da Câmara Municipal de Floresta (a 439 quilômetros do Recife, no Sertão de Pernambuco) foi preso, com mais sete pernambucanos, por tentar fraudar um concurso para agentes penitenciários realizado no último domingo (8) na Paraíba. O vereador Flávio Lúcio Ferraz e o restante do grupo foram detidos após a realização da prova, que aconteceu em João Pessoa. Com ele foram encontrados celulares, pontos eletrônicos e documentos adulterados.

Agência Nordeste |

De acordo com o delegado de Defraudações da Polícia Civil paraibana, Magno Toledo, os pernambucanos já vinham sendo investigados por serem suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos. A gente já havia recebido informações das polícias Federal e Civil de Pernambuco, também recebemos denúncias anônimas, já sabíamos que eles iam agir nesse concurso. Só ficamos aguardando eles terminarem a prova para realizar a prisão, informou.

De acordo com Toledo, o grupo cobrava entre R$ 3 mil e 15 mil pela aprovação no concurso. A escala de valores crescia dependendo do tipo de tecnologia utilizada, que poderia ser por ponto eletrônico para a recepção de dados (a mais cara), mensagens via celular ou com uma pessoa fazendo a prova no lugar da outra.

Além do vereador, os outros acusados são: Alan Vasconcelos da Silva, Marcelo Medeiros Macedo, Rodrigues Tavares de Almeida, Adenor Leite (que já foi acusado na 11ª Vara Criminal de Pernambuco por fraudar o concurso da Polícia Civil de Pernambuco) e Francisco Fagner Cavalcanti, que moram na Casa dos Estudantes de Pernambuco. Os outros são Fábio Aquino Brasil e Alvanir Teotônio Sobral ¿ proprietário de uma lanchonete em Floresta.

Ainda segundo o delegado, os cinco rapazes que moram na Casa dos Estudantes receberiam R$ 8 mil para fazer a prova no lugar de outros candidatos, além de fornecer os gabaritos. A fraude funcionava da seguinte maneira: enquanto os estudantes faziam as provas, os outros integrantes ficavam do lado de fora, aguardando as respostas, que eram repassadas para os clientes. De acordo com a polícia, os acusados não conseguiram realizar a fraude porque havia cinco tipos de prova.

Sobre a participação do vereador, o delegado informou: Ele trouxe o pessoal para fazer a prova e ficou do lado de fora, recebia o gabarito do pessoal e repassava. Foi ele quem trouxe o Alan, que estava fazendo a prova no lugar de Alvanir. Em depoimento, o presidente da Câmara de Floresta confessou que transportou os candidatos, mas alegou que também ia fazer a prova do concurso no município de Patos, a 500 km de João Pessoa, onde foi preso. 

Os acusados, todos de Floresta e Serra Talhada, no Sertão pernambucano, vão responder por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica. Todos foram encaminhados para a central de polícia, na Capital paraibana, onde aguardam para serem transferidos a outras unidades prisionais do Estado. O concurso não será anulado, já que a fraude não foi concluída.

Agora, as polícias da Paraíba e de Pernambuco estão à procura, no Recife, de um homem identificado pelo apelido de Cabeludo, que seria responsável pelo esquema de fraudes em concurso em vários Estados brasileiros.

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