Prêmio Goncourt é concedido ao escritor de origem afegã Atiq Rahimi

PARIS ¿ O Prêmio Goncourt, o mais prestigioso das letras francesas, foi atribuído nesta segunda-feira ao escritor de origem afegã Atiq Rahimi pelo romance Syngué Sabour, Pierre de patience.

Redação com AFP |

Atiq Rahimi posa com seu
livro premiado em Paris/ AFP

Escritor e cineasta de origem afegã, Atiq Rahimi, de 46 anos, é autor de quatro romances, mas "Syngué sabour" é seu primeiro livro escrito diretamente em francês.

Depois de estudar em Cabul, Atiq Rahimi abandonou o país em guerra em meados dos anos 80 e emigrou para o Paquistão. Mais tarde pediu asilo político na França, onde obteve doutorado na Universidade Sorbonne. Possui dupla cidadania, afegã e francesa.

Na tradição afegã, "Syngué sabour" é o nome de uma pedra mágica à qual as pessoas confiam suas tristezas. No livro de Rahimi, uma anciã cuida do marido, reduzido a um estado vegetativo desde que foi baleado na nuca. A mulher fala e se libera da opressão conjugal e religiosa. "Syngué Sabour" é considerado um livro poético, composto de frases curtas e ritmadas, no qual Rahimi descreve a realidade opressiva da sociedade afegã.

Atiq Rahimi é autor também de "As Mil Casas do Sonho e do Terror" (2002) e "Retour Imaginaire" ("Regresso Imaginário", 2005). Seus livros são publicados em francês pela editora P.O.L. e, no Brasil, pela Estação Liberdade.

O escritor adaptou ele mesmo seu primeiro romance, "Terra e Cinzas: Um Conto Afegão" (2000), ao cinema, e já no primeiro filme foi selecionado para o Festival de Cannes, em 2004.

A pré-estréia do longa-metragem, com a presença do diretor, aconteceu durante a primeira edição do Fórum Cultural Mundial, em São Paulo. Em "Terre e Cinzas", o espectador fica fascinado por uma paisagem desolada: uma ponte, um rio seco, a guarita de um guarda, uma estrada que se perde no horizonte, um comerciante que pensa o mundo, um velho, uma criancinha, e a espera. Nada se mexe ou quase. É o Afeganistão. O velho homem vai anunciar a seu filho, que trabalha na mina que no vilarejo todos foram mortos em um bombardeio ¿ tudo isso em meio a um inferno de lembranças, ao sofrimento, à solidão, ao medo.

Leia mais sobre: Atiq Rahimi

    Leia tudo sobre: literatura

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG