Prejuízo da Cosan sobe 891,21% para R$ 473,8 mi

A Cosan, maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, relatou prejuízos líquidos de R$ 40,2 milhões no quarto trimestre fiscal de 2009 - alta de 658,5% sobre os R$ 5,3 milhões de igual período de 2008 - e de R$ 473,8 milhões no ano-safra 2008/2009, alta de 891,21% sobre os R$ 47,8 milhões de prejuízo em 2007/2008. Em seu balanço, a companhia atrela seu prejuízo às pesadas deduções de variação cambial não caixa incidente sobre o passivo em dólar de longo prazo, e amortizações de ágio de aquisições passadas, também sem efeito caixa.

Agência Estado |

O exercício social do ano-safra de 2009 foi alterado e teve apenas 11 meses de registro, ante 12 meses do ano-safra passado. Com isso, o seu término foi mudado de 30 de abril, em 2008, para 31 de março, em 2009, para que coincidisse com início da safra sucroalcooleira no Centro-Sul. Sendo assim, o quarto trimestre fiscal de 2009 teve apenas dois meses de resultados, ante três meses em 2008. Os resultados incluem quatro meses de resultados da Esso Brasileira de Petróleo, recém-denominada Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CCL), adquirida em 2008.

Os dados relatam ainda o desempenho das operações geradas a partir das 18 unidades sucroalcooleiras da empresa, que tem três projetos de novas usinas em Goiás. Não incluem a incorporação da NovAmérica, realizada em março e finalizada semana passada.

A Cosan informou uma receita operacional líquida de R$ 2,35 bilhões no quarto trimestre fiscal de 2009, aumento de 178,74% sobre o faturamento de R$ 843 milhões de igual período de 2008. Registrou ainda uma receita operacional líquida de R$ 6,27 bilhões em 2008/2009, 129,2% de aumento sobre os R$ 2,736 bilhões de 2007/2008. O Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da companhia cresceu 292,6% em 2009 e atingiu R$ 718 milhões.

A empresa relatou também uma dívida líquida de R$ 3,035 bilhões, ou 3,2 vezes o Ebitda de 2009, incluindo a Esso. O capex (que se refere a investimentos) chegou a R$ 1,346 bilhão em 2009 e "reforça o comprometimento do grupo com pesados investimentos em cogeração da biomassa e nova planta industrial em Goiás dedicada a etanol", de acordo com o comunicado ao mercado da companhia.

Mesmo sendo uma empresa eminentemente sucroalcooleira, as operações de açúcar e álcool da companhia foram ultrapassadas pela comercialização de receita da Cosan após a aquisição da Esso. Segundo o balanço da companhia, as vendas de combustíveis foram o principal negócio de 2009 em termos de participação nas receitas, com R$ 2,89 bilhões, ou 46,2% do faturamento total, destacando-se as participações de gasolina (43,8%) e óleo diesel (40%).

A comercialização da produção de açúcar, com R$ 1,8 bilhão, contribuiu com 28,8% das receitas, e a comercialização da produção de etanol teve participação de 18,8%, ou R$ 1,17 bilhão. A venda de lubrificantes, pelo pouco período de consolidação (apenas quatro meses), e de energia elétrica, por ser ainda um negócio em início de operação, são atividades que acabaram tendo participação reduzida no mix de receitas totais.

A Cosan relatou ainda a previsão de aumento de 100% a 130% na receita líquida, de 60% a 80% no Ebitda e de 10% a 20% no capex em 2009/2010, cuja safra foi iniciada em 1º de abril deste ano. A previsão já considera a aquisição e a incorporação das operações da NovAmérica, que incluem quatro unidades produtoras de açúcar e álcool, a marca "União", líder em vendas de açúcar refinado no varejo brasileiro, duas refinarias de açúcar (Piedade e Tarumã), quatro empacotadoras de açúcar 8% do Terminal Exportador de Álcool de Santos S.A. ("TEAS"), e 28,8% da Rumo Logística.

Como resultado desta incorporação, finalizada semana passada, a Cosan S.A. emitiu 44.300.389 novas ações, correspondente a 11,89% de seu novo capital social, que foram atribuídas à Rezende Barbosa, acionista da NovAmérica, efetuando um aumento de capital de R$ 334,2 milhões.

Energia

A Cosan comunicou que suas controladas Cosan Centroeste Açúcar e Álcool e Barra Bioenergia obtiveram a aprovação, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de uma linha de financiamento de aproximadamente R$ 788 milhões, de R$ 639 milhões destinados à implantação do greenfield (projeto de nova usina) em Jataí (GO) e cerca de R$ 149 milhões ao projeto de cogeração na unidade Gasa, em São Paulo.

De acordo com comunicado ao mercado divulgado pela companhia, o BNDES financiará, respectivamente, 65% e 78% do total a ser investido nos projetos de Jataí e Gasa, por um prazo de até 12 anos. A unidade de Jataí, primeira da Cosan fora do Estado de São Paulo, entra em operação nesta safra 2009/2010 de cana-de-açúcar, terá capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas e, quando atingir a sua capacidade plena, produzirá mais de 370 milhões de litros de etanol por safra, além de gerar excedente de energia elétrica.

A usina de Jataí participou ainda de leilões de energia nova realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nos quais se comprometeu a entregar 4,09 milhões de MWh (megawatts/hora) por um prazo de 15 anos, com início de suprimento a partir de 2010.

O documento informa ainda que a unidade Gasa estabeleceu um contrato bilateral de comercialização de energia elétrica com a CPFL Comercialização Brasil, no qual se comprometeu a entregar até 3,6 milhões de MWh por 15 anos, como parte do excedente de energia elétrica. "A Cosan acredita que iniciativas como estas contribuem para a inserção da biomassa na matriz energética do País e reconhece que o papel do BNDES é fundamental para que projetos como estes continuem acontecendo", conclui a companhia no comunicado.

Crédito

A Cosan informou ter contratado uma reserva de linha crédito junto ao Banco Bradesco no valor de até R$ 1,1 bilhão para refinanciamento das notas promissórias com vencimento em 12 de novembro de 2009. As notas foram utilizadas para o pagamento da aquisição, no ano passado, da Esso Brasileira de Petróleo, para alongar o seu prazo por mais um ano a partir da data do seu vencimento.

Os detalhes da operação prevista de refinanciamento não foram revelados pela Cosan. "Com mais esta iniciativa, a Cosan demonstra seu comprometimento em sua gestão de risco de liquidez, mantendo um perfil de endividamento adequado à sua atividade operacional", informa o comunicado.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG