Prefeitura de SP lança cartilha para combater racismo

A Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra (Cone) de São Paulo, ligada à Secretaria Municipal de Participação e Parceria (SMPP), lança na tarde de hoje uma cartilha para definir os variados tipos de racismo e orientar sobre como se deve agir em relação a cada um deles, de acordo com a coordenadora da Cone, Maria Aparecida de Laia. Intitulado Como Reconhecer e Como Lidar com o Racismo em suas Diversas Formas, o documento faz parte das comemorações do primeiro ano de existência do Centro de Referência de Combate ao Racismo, um dos serviços da coordenadoria, inaugurado em 21 de março de 2009 - mesma data em que se celebra o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

Agência Estado |

A tiragem da cartilha é de, aproximadamente, 3 mil exemplares. A distribuição desse material será feita no Centro de Referência e nas diversas ações da Cone. "Pela primeira vez, a cidade conta com um Centro de Referência de Combate ao Racismo, um local preparado para acolher e proteger vítimas do preconceito. Também é a primeira vez que a comunidade negra tem um conselho na administração pública", afirma o secretário municipal de Participação e Parceria, Ricardo Montoro, para quem o lançamento desse compêndio se soma ao trabalho que é feito na capital paulista de garantia de direitos e combate ao preconceito.

O documento é bastante didático. Por exemplo, explica o que é racismo, cita as três formas básicas em que ocorre e traz fatos do cotidiano a fim de esclarecer as situações de preconceito. Também apresenta uma crítica em três pontos que, segundo a coordenadora Maria Aparecida, em algum momento, refletem na vida da população negra a discriminação racial: os meios de comunicação, que "inviabilizam" o acesso de negros, a polícia, "para quem todo negro é suspeito", e a autoestima, situação em que o próprio negro não desenvolve a afirmação no que diz respeito à identidade étnico-racial.

A coordenadora da Cone lembra ainda que a cartilha traz estratégias para prevenção do racismo e da discriminação racial que devem ser desenvolvidas de três maneiras. Junto à sociedade, na mudança das crenças, tabus e valores culturais envolvendo a população negra, junto a instituições, promovendo modelos de não-discriminação racial e a favor de ações afirmativas, e junto ao indivíduo, fomentando atitudes que ajudem na quebra do ciclo da discriminação.

Shows

Para marcar o aniversário do Centro de Referência e o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, no domingo (21), a Academia Brasileira de Black Music (ABBM), em parceria com a Cone e com a Secretaria do Estado da Cultura, lançará o evento "Pela paz, São Paulo é show". O ato, na Praça da Sé, a partir das 15 horas, contará com shows previstos de Ed Motta, Banda Black Rio, Sandra de Sá, Vanessa Jackson, Sebastian, Trilha Sonora do Gueto e Thaíde.

Os organizadores pedem que o público leve um quilo de alimento não-perecível - exceto sal e açúcar - ou doe dinheiro, destinado às vítimas das enchentes em São Paulo e do terremoto no Haiti. Mais informações por meio dos telefones (11) 3113-9750 / 3452-9329.

Serviço

Lançamento de cartilha pela Cone. Sede da SMPP. Rua Líbero Badaró, 119, centro, São Paulo. Aberto ao público. Início às 14 horas, com relato de uma pessoa que sofreu discriminação e palestra dos advogados Hédio Silva Jr., presidente do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), e Christiano Jorge Santos, vencedor do Prêmio Luta Pela Igualdade Racial, concedido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)/Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios, em 2008.

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