Prefeitura de Angra tem plano de retirada de 40 famílias de áreas de risco

O prefeito de Angra dos Reis, Tuca Jordão (PMDB), concedeu entrevista coletiva no município neste domingo e mostrou grande preocupação em não gerar pânico na cidade. Foi essa a justificativa para o pedido de desligamento das usinas nucleares Angra 1 e 2, em função da interdição da Rio-Santos, principal via de acesso à região ¿ liberada agora a pouco. Ele falou também sobre o plano de evacuação de famílias em áreas de risco.

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Jordão destacou que há um esquema de emergência para abrigar famílias que moram em áreas de risco, onde há iminente risco de deslizamentos de terras. Elas devem ser retiradas dos locais. O plano de emergência contará com abrigo para cerca de 40 famílias no Colégio Naval e em acampamentos militares.

Mas o prefeito de Angra reconheceu que é uma solução paliativa. "Não podemos deixar uma pessoa seis meses em um abrigo", disse Jordão, usando frases de efeito semelhantes ao discurso do governador Sérgio Cabral, no dia anterior. "Não faço populismo. Em tragédia não se faz política".

Ele disse ter recebido ligações de apoio até do apresentador Luciano Huck e garantiu que "desse limão azedo será feita uma doce limonada", ao anunciar que o governo estadual prometeu mais verba para os programas de habitação do município.

Desligamento das usinas nucleares

O prefeito falou sobre apoio da Defesa Civil, Marinha e outros órgãos no resgate e alojamento da população afetada pela tragédia, mostrou preocupação com o turismo, vital para a economia da região, e não poupou críticas pela interdição da Rio-Santos, afirmando que o "governo federal e o DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes) têm estrutura, máquinas e dinheiro para começar agora".

"O que me entristeceu foi quando marcamos uma reunião dos nossos técnicos todos na Defesa Civil com o DNIT e essa pessoa não apareceu. Mas não cabe crítica nesse momento. Não precisamos de mais confusão. O presidente do DNIT (Luiz Antonio Pagot) está aqui hoje (domingo), já deve estar vistoriando essas áreas na estrada. Precisamos de acesso. Isso não pode esperar. Se continuar essa chuva, continuar caindo barreira, como é que vamos sair, ter a nossa rota liberada? ", disse Tuca, explicando o pedido de fechamento das usinas nucleares.

"Para se desligar uma central nuclear existem parâmetros e respaldos, mas eu não posso como prefeito da cidade, com o fechamento da principal rodovia, correr risco nenhum. Mas, repito, não há qualquer problema de funcionamento nas usinas. Não sou conhecedor da área nuclear, mas a população está assustada".

Questionado sobre o número de moradores em risco, Jordão afirmou que Angra dos Reis "é só encosta" e que o número, por isso, "fica muito aleatório". Ele reclamou ainda da falta de "carinho" da concessionária de energia do município, a Ampla, citando localidades sem luz há cinco dias. "É um absurdo como a empresa de luz vem maltratando a nossa região. Nós sabemos o que estamos passando e temos de dar um mínimo de condições para o nosso morador. Essa empresa tem de dar um mínimo de carinho ao nosso município".

Jordão citou ainda as duas outras possibilidade de acesso e saída de Angra dos Reis com o fechamento da Rio-Santos: a RJ-155, com acessos para Rio e São Paulo, e a saída por Paraty, na direção de São Paulo.

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