Prefeitura amplia restrição à circulação de caminhões na cidade de São Paulo

SÃO PAULO ¿ A Prefeitura de São Paulo publicou, nesta terça-feira, no Diário Oficial, um decreto com as novas medidas para o transporte de cargas na cidade. A restrição à circulação de caminhões e à carga e descarga é ampliada e passa dos atuais 25 km2 para 100 km2. No local delimitado, o tráfego será proibido das 5h às 21h de segunda a sexta-feira. Aos sábados, a proibição vai das 10h às 14h. A medida passa a valer após 45 dias da divulgação.

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo |

Segundo informações da Secretaria Municipal de Transportes, a restrição vai abranger o perímetro compreendido pelo trecho urbano da Marginal Pinheiros e das avenidas dos Bandeirantes, Tancredo Neves, Juntas Provisórias, do Estado, Rio Branco, Eixo da Ferrovia, Queiroz Filho e Jaguaré, que equivalem ao centro expandido da capital.  As exceções são para a zona cerealista e as regiões do Brás, Pari e Ceagesp.

Os veículos que prestam serviços de emergência (salvamentos, socorro de incêndio, polícia), obras de urgência, socorro mecânico e coberturas jornalísticas podem circular livremente em qualquer horário.

Conforme o decreto, alguns caminhões prestadores de serviço terão horários especiais. São eles:

Das 5h às 16h: obras e serviços de infra-estrutura urbana, concretagem e concretagem-bomba, feiras livres e mudanças.

Das 5h às 12h : transportes de produtos alimentícios perecíveis e transporte de produtos perigosos de consumo local.

Das 10h às 16h: transporte de valores, remoção de entulho, transporte de caçamba e serviços públicos essenciais

Nas áreas onde o tráfego já é restrito, as novas regras incluem a adoção do rodízio para os caminhões conforme o modelo usado pelos veículos de passageiros, que leva em conta o número final da placa. A proibição da circulação sob pena de multa será das 7h às 10h e das 17h às 20h uma vez por semana.

De acordo com o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Morais, se os caminhões não conseguirem fazer a carga e descarga no horário determinado, não poderão permanecer estacionados nas áreas abrangidas pelas medidas.

Para que a fiscalização seja mais efetiva, a secretaria informa que serão instalados cerca de 120 radares com Leitura de Automática de Placas (LAP). Na segunda-feira, eles passaram por testes no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Outra ação será o remanejamento de fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), já que, conforme o órgão, não há planos de contratar novos agentes.

O secretario, por usa vez, acredita que não haverá dificuldade na fiscalização, visto que as vias de acesso para atingir a área de 100 km 2 serão as mesmas utilizadas atualmente.

O prefeito Gilberto Kassab afirmou, na última quarta-feira, que o decreto também cria uma comissão formada por técnicos da Secretaria Municipal de Transportes e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e representantes do setor de transporte de cargas para analisar casos especiais, como os caminhões de mudança e os caminhões-betoneira.

"Haverá uma comissão de caráter consultivo que vai definir as exceções. Em princípio, eu questiono a questão de caminhões de mudança e as betoneiras. Entendo que as betoneiras devem ficar fora das restrições porque não podemos parar as construções na cidade e não é possível executar todas as obras à noite. O mesmo ocorre no caso do transporte de mudanças", justificou.

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Especialistas acreditam que só restrição não resolve

A arquiteta e coordenadora da divisão técnica de trânsito do Instituto de Engenharia de São Paulo, Maria da Penha Nobre, considera que a medida deve trazer melhoria ao trânsito, mas não deve ser significativa se dissociada de outras ações. É preciso observar melhor o transporte público, incentivar estacionamentos integrados junto às estações de metro e cuidar do transporte escolar. Juntas, essas ações podem trazer um resultado positivo, afirmou.

A especialista chama a atenção também para o fluxo de veículos nos municípios vizinhos a São Paulo. O trânsito pode piorar nas cidades de Diadema, Guarulhos e Taboão da Serra, por exemplo, em razão dos caminhões aguardando o horário certo para entrar na capital. O mesmo pode ocorrer em trechos das marginais, acredita.

Para o professor de engenharia de tráfego da Universidade Presbiteriana Mackenzie João Cucci Neto, a alteração mexe com a demanda de movimentação. Não conseguimos construir vias na mesma velocidade que as nossas necessidades. A cidade de São Paulo sempre vai ter trânsito complicado, mas, para não ficar tão saturado, é preciso um pacote de medidas, crê.

O professor discorda de um possível aumento de horário e de placas do rodízio municipal de veículos, pois acredita que com o crescimento essa ação logo se anula. Não adianta tirar 20% do rodízio ou aumentar para quatros finais de placas por dia porque a demanda vai absorvendo. Cada vez tem mais carros nas ruas, disse.

Em sua opinião, o pedágio urbano é uma tendência mundial e pode ser uma saída para o trânsito caótico da capital. No entanto, ressalva que a medida é de difícil aplicação já que mexe diretamente com a mobilidade das pessoas. Não tem como pagar mais caro pra andar de carro se não há alternativa de transporte urbano. Londres, que tem trânsito complicado, adotou, mas começou apenas no centro financeiro e aplicou a renda no transporte coletivo, contou.

Já o presidente do Sindicato e da Federação dos Engenheiros do Estado de São Paulo, Murilo Celso de Campo Pinheiros, é contra que as pessoas paguem para poderem transitar no centro. È apelação. Já pagamos muita coisa, temos que criar facilidades. Se tivermos transporte bom ninguém precisará andar de carro, afirmou.

Para ele, a restrição dos caminhões é uma medida apenas paliativa, mas que deve colaborar. Ajudará um pouco, mas também deve criar o aumento do transporte de cargas por conta disso, considera.

Recordes de trânsito

Na última sexta-feira, 9, o congestionamento na capital bateu um novo recorde e chegou a 266 km às 19h. O motivo principal foi tombamento de um caminhão no acesso à Rodovia Presidente Dutra pela Marginal Tietê. A via foi liberada por volta das 18h, mas a interdição causou longas filas de engarrafamento. Somente na pista expressa da Marginal Tietê, sentido Ayrton Senna, a via contabilizava 23 km de lentidão.

Em 19 de março, após uma série de recordes de lentidão, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Morais, anunciou um pacote de ações  melhorar o trânsito. Segundo ele, as medidas já eram estudadas há pelo menos seis meses pela administração municipal e não tinham ligações diretas com os índices ruins da capital.

Confira quais foram as medidas anunciadas pelo prefeito e que têm como prazo máximo o dia 19 de junho para serem implantadas:

  • Criação de 175 rotas alternativas: saiba quais são
  • Proibição de estacionamento de caminhões: saiba onde
  • 19 obras em zonas críticas: veja quais as obras
  • Recuperação de sete corredores de ônibus;
  • Retirada de 167 lombadas e valetas de vários pontos da cidade

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