Prefeito de BH quer decretar situação de emergência em estrada

Cerca de 100 mil veículos passam pelo Anel Rodoviário diariamente, mas fiscalização é ruim. Em 2010, 30 pessoas morreram na via

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), quer decretar situação de emergência no Anel Rodoviário da cidade após a morte de cinco pessoas no começo da noite da última sexta-feira. O acidente foi causado pelo motorista de uma carreta, Leonardo Faria Hilário, de 24 anos, que perdeu o controle do veículo carregada com 37 toneladas de trigo.

A carreta vinha na pista da esquerda e arrastou mais de 11 veículos na mesma faixa e direção, causando a morte de cinco pessoas, entre elas uma criança de quatro anos. Natural do Mato Grosso do Sul, o motorista está preso no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Belo Horizonte. Autuado em flagrante, ele será indiciado pelo crime de homicídio com dolo eventual.

Em 2009, Lacerda decretou estado de calamidade pública no Anel Rodoviário após um acidente que matou seis pessoas. Pelo local, conforme dados da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), passam aproximadamente 100 mil veículos todos os dias. Na manhã desta segunda-feira, houve um outro acidente no Anel Rodoviário, envolvendo carretas e carros, mas ninguém se feriu gravemente.

Entre as medidas emergenciais a serem adotadas para reduzir o alto número de graves acidentes, o prefeito destacou a possibilidade de redução de velocidade, com a implantação de radares, restrição de caminhões pesados em determinados horários, além de reforço na fiscalização e criação de um comitê gestor permanente para discutir assuntos referentes ao anel.

Nesta terça-feira, uma equipe do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) virá de Brasília para avaliar a situação na rodovia, onde mais de 30 pessoas morreram no ano passado, envolvidas em acidentes, especialmente com carretas. “Nós vamos propor para a equipe técnica que vem do Dnit amanhã a possível decretação do estado de emergência para que algumas obras possam ser contratadas sem licitação”, explicou Lacerda.

Falta de fiscalização

A fiscalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, de responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária, é insuficiente, admitiu hoje o coronel Sebastião Emídio. O aumento do efetivo está sendo estudado e o número de homens que trabalha na fiscalização não foi divulgado por medida de segurança, afirmou o coronel.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Waltair Vasconcelos, lembrou que o convênio firmado para que a Polícia Militar Rodoviária se responsabilizasse pela fiscalização foi em 2001 porque a PRF tinha, à época, grande defasagem de homens.

O chefe do serviço de engenharia do Dnit, Álvaro Campos Carvalho, afirmou que até o final do mês de fevereiro pelo menos três radares serão instalados ao longo do Anel Rodoviário. Ele informou que a obra definitiva de revitalização da rodovia deve começar em agosto, após licitação em março. O custo total é de R$ 1,2 bilhão e a duração é de três anos. Implantado na década de 1960, o Anel Rodoviário possui 27 quilômetros de extensão é tem entre suas funções desafogar o trânsito pesado do Centro de Belo Horizonte.

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