BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na sexta-feira que, apesar de já ter feito diversas insinuações a respeito, ainda não se definiu sobre a indicação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para ser a candidata governista a sua sucessão em 2010. Lula voltou a dizer que ainda não conversou com a ministra sobre o assunto e, embora não tenha citado nenhum outro aliado, disse que o PT conta com outros diversos potenciais candidatos.

"Quando eu sentar com ela, vai ser uma coisa definitiva", declarou o presidente durante um bem humorado café da manhã oferecido à imprensa, no Palácio do Planalto. "O que não falta é nome."

O presidente ressaltou que pretende evitar discutir a sucessão durante o ano que vem, quando privilegiará a inauguração de obras. Lula ressaltou que essa será uma oportunidade para a ministra se tornar conhecida pelos eleitores que ainda não sabem quem é a chefe da Casa Civil. Segundo pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta semana, Dilma não é conhecida por cerca de metade da população brasileira.

"A Dilma tem todo o tempo do mundo para ficar conhecida. Ela é uma pessoa extremamente gabaritada para a função (Presidência da República)", destacou na conversa, que durou cerca de uma hora e meia.

Para Lula, a antecipação do debate sobre a eleição de 2010 só interessa à oposição. "O governo não vai aceitar campanha no ano que vem", explicou.

CONGRESSO

Em relação à disputa pelas presidências do Congresso, o presidente fez críticas veladas ao PMDB do Senado, a quem acusou de "atirar para todo o lado", e à quantidade de candidatos governistas para a presidência da Câmara.

"O jogo estava dado. Todos ganharíamos com isso", disse, em referência às candidaturas do senador Tião Viana (PT-AC) e do deputado Michel Temer (PSDB-SP). "Se a gente pulverizar muito, a gente vai complicar a política."

Sobre a situação na Câmara, onde os governistas Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR) também tentarão conquistar a presidência, Lula foi além. "Não podemos incorrer no mesmo erro, quando a falta de bom senso causou a eleição do deputado Severino Cavalcanti", afirmou, recordando 2005, ano em que a falta de unidade da base possibilitou a eleição de um parlamentar mais ligado ao chamado baixo clero da Casa.

"O eleito tem que ter a respeitabilidade das pessoas que vai liderar", acrescentou.

Lula considera que a candidatura à reeleição de Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) à presidência do Senado é inconstitucional. A atual legislação proíbe que um parlamentar ocupe duas vezes a presidência de qualquer Casa na mesma legislatura. O peemedebista alega, no entanto, que seu atual mandato é tampão, devido à renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo . "Legalmente, ele não pode", disse Lula.

Em outro momento do café da manhã, Lula disse que não pretende se candidatar à presidência de novo em 2014, nem ao senado. O presidente descartou também a tentativa de um terceiro mandato: "Eu não trabalho com essa hipótese absurda."

"Ex-presidente tem que ter a dimensão do cargo que já exerceu. Não pode ficar disputando cargo", complementou.

O presidente aproveitou para alfinetar, de forma indireta, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu quero que o próximo presidente se dê melhor do que eu. Ex-presidente dará contribuição extraordinária se ficar quietinho, pois ex-presidente tem muito telhado de vidro."

Lula também comentou os resultados das pesquisas que apontam sua popularidade recorde. O presidente argumentou que não se deixa seduzir, pois, como já atingiu cerca de 80 por cento de aprovação, a maior probabilidade é que esse percentual caia nos próximos meses. "Se eu disser que sou insensível às pesquisas, vocês não precisam acreditar."

O presidente disse ser contrário ao aumento do número de vereadores, e revelou também que editará uma medida provisória para garantir os recursos do Fundo Soberano. Na quinta-feira, em razão da ausência de parlamentares da base aliada na sessão do Congresso, os governistas não conseguiram aprovar o projeto que garantia a transferência desse dinheiro.

Lula voltou a comentar a tentativa de um jornalista iraquiano acertar dois sapatos no presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e brincou com a possibilidade de que os presidentes passem a lançar sapatos contra os repórteres quando não gostarem das perguntas.

(Reportagem de Fernando Exman)

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