Prazo para filiação partidária esquenta troca-troca para 2010

BRASÍLIA - Os aspirantes a candidatura nas eleições de 2010 devem estar filiados ao partido político pelo qual pretendem concorrer até este sábado. Com o final do prazo, políticos abandonam os partidos pelos quais se elegeram em pleitos anteriores e, mesmo com a barreira imposta pela Justiça Eleitoral para as trocas injustificadas de legenda, a chamada fidelidade partidária, eles se ajustam entre os 18 partidos existentes no País na busca de apoio.

Sarah Barros, repórter em Brasília |

As contestações de mudanças já acontecem, por partidos que perderam políticos com mandato. É o caso do DEM que ingressou nesta semana com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a deputada federal Nilmar Ruiz (TO). O partido sustenta que a deputada não justificou sua saída e teria resolvido deixar a legenda com a expectativa de concluir o mandato em 2010 diante da demora para o julgamento do processo de infidelidade partidária.

Agência Câmara
deputada federal Nilmar Ruiz (TO)
Deputada federal Nilmar
Ruiz (TO)

A decisão do TSE sobre a fidelidade partidária foi desmoralizada neste ano. A Justiça tentou impor uma barreira. A judicialização da política não surtiu efeito, avaliou o cientista político David Fleisher. Ele define as trocas como um mecanismo de posicionamento dos propensos candidatos a cargos eletivos para 2010, e esta manobra seria difícil de conter por meio da resolução imposta pelo TSE.

Seria o caso do senador Adelmir Santana (DF). Embora a ameaça de perda do mandato tenha influenciado na decisão, ele recuou na última hora da ideia de sair do DEM e ir para o PSB, com a promessa de ser indicado para disputa em cargo majoritário pelo partido da oposição. "Não sei se Adelmir tem condições de se eleger, porque entrou no Senado sem nenhum voto, mas é um nome conhecido no DF", pincelou Fleisher. Adelmir assumiu o mandato por ser suplente de Paulo Octávio, eleito vice-governador do DF.

Puxadores de votos

A migração de políticos nas vésperas do embate eleitoral alinhava as possibilidades de vitória dos partidos no ano que vem. A saída de políticos enfraquece os partidos porque eles perdem puxadores de votos, pontua Fleischer. O impacto poderá ser visto especialmente nos resultados para vagas na Câmara dos Deputados e assembléias legislativas do país. O princípio da proporcionalidade permite que candidatos menos votados se elejam de corona nos votos do mais popular.

Agência Senado
senador Adelmir Santana (DF)
O senador Adelmir Santana (DF) recuou na última hora da ideia de sair do DEM e ir para o PSB

Junto a artistas e atletas, que atraem eleitores mesmo sem experiência política, Fleischer cita o empresariado como alvo dos partidos no intuito de aumentar sua força eleitoral. Além de reforçar o financiamento, os empresários dão credibilidade à chapa, ajudando na imagem do candidato principal, disse.

Um exemplo deste impacto seria a união do vice-presidente da República, José Alencar, a Lula, nas eleições de 2002. A participação de Alencar foi muito importante para tirar a imagem de Lula paz e amor que existia, afirmou. Alencar é empresário do setor têxtil.

Este ano, o Partido Verde (PV) estaria adotando a estratégia, na pretensão de lançar a senadora Marina Silva (AC) na disputa pela Presidência da República. Na última quinta-feira, o presidente da Natura, Guilherme Leal, se filiou ao partido sem descartar a possibilidade de ser candidato.

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