Requião nomeou ex-atriz de pornochanchada para governo

Ex-governador criticou o atual, Beto Richa, por indicar ex-ator pornô para o governo. Ele diz que atriz tinha experiência na área

Luciana Cristo, iG Paraná |

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Ittala Nandi e Roberto Requião, ex-governador do Paraná
Nas críticas que o senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião (PMDB) fez no início desta semana contra a nomeação de Valter Pagliosa , um ex-ator pornô, para chefiar uma regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ele não mencionou que também manteve uma ex-atriz de filmes de pornochanchada enquanto foi governador. Ittala Nandi foi a escolhida para coordenar a Escola Superior Sul-Americana de Cinema e TV, criada durante o governo de Requião.

Hoje com 68 anos e adepta do hinduísmo, Italla acumula em seu currículo diversas produções em teatro, cinema e televisão. Antes disso, jovem e no início da carreira, ela protagonizou filmes que tiveram problemas com a ditadura militar, como “Juliana do amor perdido” e “Os homens que eu tive”.

Requião afirma não ver nada de estranho na antiga nomeação e se contrapõe a Richa: “Nomeei e não demiti”, escreveu em seu Twitter nesta quinta-feira. De acordo com Requião, a nomeação de Ittala tinha pertinência com a experiência que ela possuía e com o tema da função que ela assumiu.

A polêmica envolvendo a nomeação e a posterior demissão de Pagliosa começou com comentários de Requião no Twitter. O assunto deu tanto o que falar que, no mesmo dia, o governador Beto Richa (PSDB), adversário político de Requião, afirmou desconhecer o passado de Pagliosa e o exonerou do cargo. Depois da exoneração de Pagliosa, Requião disse que não tinha nada a ver com a história e que quem tinha resolvido demitir o chefe do IAP foi Richa, conforme o senador responde em vídeo mostrado pelo iG .

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Ittala Nandi
Parentes

Da mesma forma que Richa, que tem seu irmão (José Richa Filho) e sua esposa (Fernanda Richa) como secretários de pastas importantes no Estado, Requião também mantinha a família em altos cargos, enquanto foi governador. Pelo menos oito parentes de Requião ocuparam funções públicas, em diferentes momentos de seus dois últimos mandatos.

O irmão Maurício Requião foi secretário de Educação e, depois, tentou ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O outro irmão, Eduardo, foi superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). A esposa, Maristela Requião, ficou encarregada da direção do Museu Oscar Neimeyer (MON).

Os outros parentes empregados por Requião foram: o sobrinho Paikan Arruda de Melo e Silva, funcionário da TV estatal Educativa; a sobrinha Daniele de Melo e Silva, com cargo na Secretaria de Saúde; a irmã Lúcia Arruda, presidente da Provopar (de ação social); o primo Heitor Wallace de Melo e Silva, diretor de investimentos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e o sobrinho João Arruda Filho, diretor da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).

Em 2006, essas nomeações começaram a ser questionadas pelo PPS, que entrou com representação no Ministério Público (MP). Meses depois, o MP ingressou com ação civil pública contra o nepotismo, até que foi editada a súmula vinculante nº 13, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), proibindo o nepotismo em todo o País.

Mas não foi o suficiente. Com a brecha deixada pela súmula vinculante, permitindo a nomeação de parentes de autoridades para cargos de ministérios e secretarias, o irmão Eduardo e a esposa Maristela permaneceram na administração pública, prática que se manteve agora, com o início do governo de Beto Richa.

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