Quadrilha frauda restituição do imposto de renda e desvia R$ 1 mi

Grupo recebia o dinheiro usando contas de funcionários fantasmas da Assembleia Legislativa do Paraná

Luciana Cristo, iG Paraná |

Uma quadrilha que recebia restituição do imposto de renda de funcionários fantasmas da Assembleia Legislativa do Paraná desviou, pelo menos, R$ 1 milhão nos últimos cinco anos. O cálculo é apontado pelo escritória da Receita Federal em Curitiba, que deflagrou a Operação Tubarão nesta terça-feira na capital paranaense, em conjunto com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.

Criavam-se declarações de imposto de renda de pessoas que não eram funcionários e contas bancárias eram abertas em nome dessas pessoas, para que se obtivesse essas restituições”

As investigações tiveram início no fim de 2008, depois que uma agência bancária alertou uma senhora sobre restrições no CPF dela. Ao comparecer à Receita Federal, ela descobriu que constava como funcionária da Assembleia, sem nunca ter trabalhado no local e sem ligação direta com o funcionalismo público. A partir daí, a Receita rastreou que outras 11 declarações de imposto de renda, de supostos funcionários da Assembleia, tinham sido feitas pelo mesmo computador.

Ainda não foram divulgados os nomes de possíveis envolvidos no esquema. Durante a manhã desta terça, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na casa de duas funcionárias efetivas da Assembleia, na casa e no escritório de um contador. Ninguém foi preso por enquanto, mas a Receita adianta que funcionários de bancos também devem estar envolvidos no crime.

Após autorização do presidente da Assembleia Legislativa, p deputado Valdir Rossoni (PSDB), dois HDs foram apreendidos pela equipe de investigação. O nome de pelo menos 66 pessoas foi usado de forma irregular para conseguir a restituição de salário para servidores da Assembleia. “Criavam-se declarações de imposto de renda de pessoas que não eram funcionários e contas bancárias eram abertas em nome dessas pessoas, para que se obtivesse essas restituições”, explica o delegado da Receita Federal em Curitiba, Arthur Cezar Rocha Cazella.

De acordo com o presidente da Assembleia, um dos funcionários envolvidos no esquema foi exonerado da Casa no mês passado, por motivos que, segundo ele, não têm a ver com essas denúncias. O outro funcionário trabalha no setor de telefonia e a procuradoria jurídica da Assembleia estuda medidas que podem ser tomadas.

Rossoni disse ainda que pode acionar o banco envolvido para reaver os valores desviados. “Existe a possibilidade de responsabilizar a instituição bancária por todas essas irregularidades que ocorreram aqui, para que o banco faça o ressarcimento à Assembleia Legislativa”, afirmou.

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