Paranaguá não tem água nem combustível

Por conta de danos causados pelas chuvas, cidade do litoral do Paraná enfrenta problemas de transporte e preços nas alturas

Luciana Cristo, iG Paraná |

Falta de água e de combustível são as principais dificuldades enfrentadas no início desta semana em Paranaguá, no litoral do Paraná, uma das cidades atingidas pelas fortes chuvas de sexta-feira e de sábado. Os efeitos já começam a aparecer: sem combustível, o transporte coletivo pode ser obrigado a parar e, sem água tratada, o preço do produto disparou.

O abastecimento de água na cidade vai levar, pelo menos, 45 dias para ser totalmente restabelecido, de acordo com a Defesa Civil. As adutoras do sistema de água foram carregadas pela enxurrada da última sexta-feira (11) e seis caminhões-pipa tentam amenizar o problema nos últimos dias.

A grande procura por água elevou os preços do galão comercializado nas cidades litorâneas a preços abusivos. Um galão com 20 litros de água, que antes dos alagamentos era comercializado a um valor de, no máximo, R$ 10,00 para entrega nas residências, nesta segunda-feira pode ser encontrado por até R$ 40,00 em Paranaguá. A recomendação do Ministério Público do Estado é que o cidadão denuncie preços abusivos à Polícia Militar.

Em relação aos combustíveis, o diesel já se esgotou. Por conta disso, a empresa que opera o transporte coletivo em Paranaguá está utilizando o que tem em estoque, mas a prefeitura não descarta a possibilidade de que o sistema precise ser paralisado temporariamente.

Com o receio da falta de álcool e gasolina, os moradores da região formam grandes filas nos postos de combustíveis. A corrida aos postos também deve provocar um desabastecimento até o final da tarde desta segunda-feira, segundo alerta da prefeitura de Paranaguá.

Economia de água

Fora utilização de emergência, para alimentação e higiene pessoal, a recomendação da Defesa Civil é que qualquer uso excessivo de água seja interrompido nas próximas semanas, como de empresas que fazem lavagem de automóveis, lavagem de roupas e todas as que utilizem grande quantidade de água para fins comerciais. Para a população, o recado é de interromper a limpeza de calçadas, carros e roupas.

Paranaguá possuía um sistema próprio de abastecimento de água. Com a destruição da estrutura, a Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar) está prestando apoio técnico e logístico para avaliar os danos sofridos na captação e na distribuição. Caminhões-pipa da Sanepar, com capacidade para até 18 mil litros, estão levando água tratada produzida na estação da Sanepar em Praia de Leste para abastecer Paranaguá.

Antonina também está com abastecimento precário de água, apenas em duas escolas e no bairro Ponta da Pita, segundo a Defesa Civil. Em Morretes, onde o abastecimento de água é de responsabilidade da Sanepar, o serviço foi retomado no sábado, gradativamente. Entretanto, em muitas regiões do município o abastecimento ainda não foi normalizado.

Desde domingo, técnicos da Sanepar vistoriam toda a rede de distribuição de água de Morretes à procura de vazamentos. Deslizamentos de terra e a enxurrada romperam a tubulação em vários pontos, o que retarda a normalização do abastecimento em algumas regiões da cidade, de acordo com a companhia.

A interrupção no fornecimento de água tratada fez com que a Secretaria de Estado da Saúde começasse a entregar à população do litoral o hipoclorito de sódio a 2,5%, produto que é utilizado para a desinfecção da água para consumo humano. “A maior preocupação é com as doenças que podem ser contraídas nesta situação: leptospirose, hepatites virais e gastroenterites”, destaca o superintendente estadual de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz.

Para o tratamento da água, a orientação é limpar e desinfetar a caixa d´agua. É necessário esvaziar o reservatório e esfregar as paredes e o fundo. Depois, deve-se colocar um litro de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para cada mil litros de água do reservatório, enchendo a caixa com água limpa.

Passados 30 minutos, a recomendação é de abrir a torneira por alguns segundos, para que a água com a solução entre na tubulação doméstica, esperar uma hora e meia para a desinfecção do reservatório e canalizações e reabrir as torneiras, quando a água poderá ser utilizada para a limpeza de chão e paredes. Não se deve usar esta primeira quantidade de água para consumo humano.

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