No Paraná, mulher é libertada após passar 20 anos presa em casa

Aos 45 anos, mulher é resgatada pela polícia após passar quase metade da sua vida trancafiada, sem nenhum meio de comunicação

Luciana Cristo, iG Paraná |

Uma mulher de 45 anos foi libertada depois de 20 anos vivendo em cárcere privado, em uma casa na cidade de Mariluz, próximo a Goioerê, região noroeste do Paraná. A informação foi divulgada na tarde desta sexta (4) pela Polícia Militar do Paraná. Ela passou mais da metade da sua vida fechada.

Um homem de 60 anos, que mantinha a mulher trancada em sua casa, foi preso em flagrante na tarde da última quarta-feira (3), quando chegava ao local, por policiais militares das Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam).

A partir de denúncia que chegou às assistentes sociais do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), a polícia deu início à operação. “Os assistentes informaram à polícia que uma pessoa estava sendo mantida em cárcere privado há cerca de 20 anos, e que estaria passando por problemas de saúde, pois era privada de acompanhamento médico”, explicou o tenente Denis Wellington Viana, integrante da Rotam.

Segundo Viana, ao chegar à residência a polícia encontrou o local todo trancado, antes da chegada do acusado, que até agora não teve seu nome divulgado. “Apesar de a casa estar com janelas e portas fechadas, era possível ouvir vozes de uma mulher pedindo socorro. Com a chegada do homem que supostamente mantinha a mulher em cárcere privado, a casa foi aberta e, então, a polícia constatou que, de fato, havia uma pessoa trancada lá”, afirmou o tenente.

A mulher foi encaminhada para atendimento médico e psicológico, no hospital da cidade. Na busca realizada dentro da residência, a polícia encontrou um revólver calibre 38 e uma espingarda calibre 36, ambas escondidas. “Durante consulta com uma psicóloga, ela informou que na casa era privada de qualquer meio de comunicação. Sobre sua vida naquele local, ela disse também que trabalhava em casa fazendo crochê e que tinha de lavar as roupas, onde só podia estender no varal quando o companheiro chegava e a acompanhava do lado de fora, no quintal”, relata Viana.

O homem de 60 anos, que a teria mantida fechada na residência, foi autuado em flagrante na Delegacia de Polícia Civil de Mariluz por cárcere privado e posse irregular de arma de fogo. O acusado teria uma outra família, na mesma cidade, e manteria a mulher sozinha nesta outra casa.

“Não era um local afastado. Os vizinhos não foram interrogados, a casa tinha muros altos, de difícil visualização interna e cães para fazer a segurança”, relata Vitor Rodrigo Amaral, comandante da Rotam do 7º Batalhão da PM no Paraná, de Cruzeiro do Oeste, a cerca de 30 quilômetros de Mariluz.

Informações iniciais da polícia dão conta que a mulher possui algum tipo de transtorno mental, não se sabe se causado pelo tempo que permaneceu trancada. A psicóloga que acompanhou a ação da polícia questionou a vítima sobre a Lei Maria da Penha. A mulher respondeu não saber do que se tratava. No entanto, o relatório policial preliminar não aponta que ela tinha lesões corporais.

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