Não tenho dúvidas de que elas são culpadas, diz promotor

"Todos os promotores que já passaram por esse caso sempre tiveram a convicção da responsabilidade dos envolvidos", afirma Paulo Lima

Luciana Cristo, iG Paraná |

A principal diferença desse novo julgamento de Beatriz Cordeiro Abagge para o primeiro júri ao qual ela foi submetida, em 1998, é a falta de contestação do corpo encontrado ser mesmo o de Evandro. A afirmação é do promotor de Justiça Paulo Sérgio Markovicz de Lima, que vem atuando no caso nos últimos 13 anos.

O corpo, que se garante ser o de Evandro, foi encontrado todo retaliado e em avançado estado de putrefação, perto da casa do pai de Beatriz, em 1992. Em entrevista à reportagem do iG , o promotor rebate acusações feitas pela defesa de Beatriz e reafirma que não tem dúvidas sobre a culpa e o envolvimento dela no caso de Guaratuba.

iG – Depois de 19 anos, o que difere esse novo julgamento do primeiro para que se pense em um resultado diferente?
Paulo Sérgio Markovicz de Lima - A argumentação de que o corpo encontrado não é o do Evandro, se levantado pela defesa, agora não tem chance alguma de sucesso, como ocorreu no primeiro julgamento. Temos uma prova científica que não pode ser refutada. A condenação dos três pais-de-santo, dois dos quais nem recorreram da sentença, o que não existia em 1998, também deve pesar.

Não concordamos com a existência da tortura, principalmente das duas. Havia policiais federais atuando na prisão delas, além do Grupo Águia. Se tivesse ocorrido, o Ministério Público seria o primeiro a pedir que se desconsiderasse essa prova”

A defesa afirma a existência de tortura durante a prisão de Celina e Beatriz Abagge, em 1992. O Ministério Público nega que elas tenham sido agredidas por policiais para confessarem o assassinato de Evandro?
Não concordamos com a existência da tortura, principalmente das duas. Havia policiais federais atuando na prisão delas, além do Grupo Águia. Se tivesse ocorrido, o Ministério Público seria o primeiro a pedir que se desconsiderasse essa prova. Não existe irregularidade nas prisões. Foram instalados procedimentos para apurar a tortura, tanto em um inquérito policial em Guaratuba quanto aqui em Curitiba, e isso foi arquivado. Todos foram ouvidos. Não existia prova. O exame feito por um perito, Rui Rezende, mostrou que as lesões não eram compatíveis com a prática de tortura. Todas as lesões encontradas no corpo do Evandro batiam com as confissões, detalhes que os policiais naquele momento não poderiam saber.

Onde elas estavam no período em que afirmam ter sofrido torturas?
Nesse trânsito de ir até o fórum. Elas permaneceram no posto policial rodoviário, não foram levadas para casa nenhuma. Até porque a distância da casa que é apontada, pegando uma estrada de chão, não daria tempo para ir e voltar dessa chácara. Os policiais estavam era preservando elas de um eventual linchamento, tanto que teve uma tentativa na saída delas do fórum.

Inicialmente, além de Celina, os policiais queriam prender a outra filhas dela, a Scheila, e não a Beatriz...
Não, desde o início a expedição do mandado de prisão estava em nome de Beatriz. Mas havia alguns policiais federais junto na prisão e houve um pequeno equívoco por elas serem fisionomicamente parecidas e eles terem chegado na casa perguntando pela “psicóloga”.

Há dúvidas sobre a participação de Beatriz Abagge no assassinato de Evandro?
Não há. Todos os promotores que já passaram por esse caso sempre tiveram a convicção da responsabilidade de todos os envolvidos. Todos eles são responsáveis.

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