Marcha da Maconha ocorre “disfarçada” em Curitiba

Após liminar judicial proibindo a manifestação, a marcha virou evento para protestar contra a liberdade de expressão

Luciana Cristo, iG Paraná | 22/05/2011 21:10

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A situação dos manifestantes a favor da legalização da maconha em Curitiba era semelhante a de São Paulo. A "Marcha da Maconha" foi impedida por ação judicial e transformada em ato pela liberdade de expressão como na capital paulista. Porém, no Paraná não houve repressão policial.

Depois de uma liminar da Central de Inquéritos de Curitiba proibindo o evento, o grupo que preparou a caminhada resolveu transformar o ato original em outro para protestar a favor da liberdade de expressão.

Foto: Luciana Cristo

Ato pela liberdade de expressão foi, na prática, a favor da maconha

Foi assim que os aproximadamente 200 manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UPR), no centro de Curitiba e marcharam até a Boca Maldita, tendo a frente uma faixa que dizia “censurado”.

Durante a concentração do grupo, pensando em evitar confusão, a orientação geral foi para que as pessoas comparecessem sem camisetas que fizessem referência à droga e sem distribuição de panfleto defendendo a legalização da maconha. Se surgisse algum conflito com a polícia, a ordem era para não resistir à prisão. Mas nada disso foi necessário. 

Foto: AE Ampliar

Manifestante em SP atingido por bala de borracha

Na prática, foi a marcha da maconha. “Legalização da liberdade de expressão” e “sou maconheiro com muito orgulho, com muito amor” foram gritos de guerra que permearam a passeata, que terminou exatamente ao lado de um posto da Polícia Militar (PM), onde além de um policial, que informou a situação pelo rádio, havia mais alguns à paisana, que fizeram imagens do grupo reunido.

Logo em seguida, duas viaturas policiais encostaram ao lado da rua e um helicóptero da PM sobrevoou a área. Sem provocações, a aglomeração se dispersou em torno de 15 minutos depois.

Reivindicações

Um dos participantes da marcha em Curitiba protestava contra o que considera ser um contrasenso no País. “Se o mercado vende, legalmente, a seda (papel utilizado para enrolar a maconha), que pode ser comprada em qualquer banca de jornal, papelaria ou posto de combustível, por que é que a maconha também não pode ser vendida?”, dizia o comerciante Jonny Ratier, enquanto mostrava a embalagem do produto, que também é utilizada no preparo de outros tipos de cigarros. “Essa é a minha bandeira”, completou ele.

Os problemas ocorridos no último sábado com a marcha em São Paulo desmobilizaram parte dos participantes aguardados para este domingo em Curitiba, reconhece o organizador local, o publicitário Shargie Casagrande.

Para ele, o importante é discutir o assunto. “Já está comprovado que, nos últimos 80 anos, o governo não conseguiu diminuir o consumo nem os usuários da maconha. O vício da maconha é mais fácil de se tratar do que o álcool, o cigarro ou qualquer outra doga. Queremos um debate aprofundado sobre a legalização”, defende Casagrande.

Os organizadores do coletivo nacional da Marcha da Maconha tentam, no Supremo Tribunal Federal (STF), garantir uma decisão para estabelecer o mês de maio como mês de realização dos atos em todo o Brasil, conta Casagrande. “Assim não ficamos mais à mercê de liminares estaduais”, acredita ele.

Movimento contrário

Deputados estaduais do Paraná, como Leonaldo Paranhos (PSC), Roberto Aciolli (PV) e Mara Lima (PSDB); o deputado federal Fernando Francischini (PSDB) e alguns vereadores de Curitiba se manifestaram-se contra a realização do ato na cidade nos últimos dias.

“A passeata ainda dá respaldo ao usuário, levando-o à falsa sensação de que a sociedade ratifica o uso da maconha e também incentiva outros a experimentarem”, criticou o vereador Juliano Borghetti (PP), que ainda argumentou que a maconha pode ser a porta de entrada para o uso de drogas mais pesadas. Outros vereadores, como Jair Cézar (PSDB), Julieta Reis (DEM), Noemia Rocha (PMDB) e Caíque Ferrante (PRP) também se posicionaram contra a marcha.
 

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