Manifestantes invadem plenário da Assembleia do Paraná

Eles querem impedir aprovação de projeto que autoriza Estado a transferir para organizações a gestão de alguns serviços públicos

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Aproximadamente 300 integrantes de sindicatos que representam servidores do Estado do Paraná e estudantes invadiram o plenário da Assembleia Legislativa na tarde de hoje e impediram a votação de um projeto de lei que autoriza o Executivo a repassar para Organizações Sociais (OS) a gestão de alguns serviços que hoje são de responsabilidade do Estado. O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), esperava retomar a votação por volta das 21 horas. "Temos procurado manter o diálogo, vamos aguardar e esperamos que o bom senso prevaleça", disse.

Os manifestantes entendem que o projeto facilitaria a privatização e pedem que haja uma discussão com a sociedade. Em razão das manifestações nas galerias durante os discursos dos deputados, a sessão chegou a ser suspensa algumas vezes, antes de haver uma tentativa de invasão do plenário pelo comitê de imprensa, que fica nos fundos, pouco antes das 17 horas. Impedidos pelos seguranças, os manifestantes conseguiram promover a invasão pelas portas laterais.

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Manifestante rasga projeto de lei dentro da Assembleia Legislativa do Paraná
Exaltados, rasgaram documentos e colocaram faixas na mesa onde ficam os dirigentes da Casa. Alguns deputados retiraram-se para os gabinetes, enquanto outros permaneceram para conversar com os manifestantes. Veículos da Polícia Militar estavam a postos em frente à Assembleia, mas até o início da noite não havia orientação para atos repressivos.

Na manhã de hoje, o governador Beto Richa (PSDB) havia defendido o projeto das OS como uma forma de suprir a necessidade de funcionários em alguns órgãos. "As vantagens são inúmeras, as organizações são sem fins lucrativos, vão estar sob a fiscalização ou acompanhamento do Estado, terão metas e estão sujeitas à Lei de Responsabilidade Fiscal, à fiscalização e à aprovação das contas por parte do Tribunal de Contas do Estado", argumentou.

Ele citou como exemplo o Hospital de Reabilitação. "Já foi há anos inaugurado e não funciona", disse. "Parece que estão fazendo barulho, até pela maneira exagerada e radical que tem tratado esse assunto, muito mais para gerar desgaste político do que preocupado com a qualidade do serviço". Richa citou que a orquestra sinfônica e a administração do Museu Oscar Niemeyer são serviços que poderiam ser assumidos pelas OS. A deputada Luciana Rafagnin, líder do PT, disse que o projeto precisa ser discutido com a sociedade, por meio de audiências públicas. "Está bem claro que é um projeto que busca a terceirização e aponta o caminho para a privatização. É a volta do neoliberalismo no nosso Estado", afirmou.

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