Mãe espera quatro meses para enterrar filho no Paraná

Problemas no IML da cidade chamaram a atenção da OAB do Estado: no prédio, há corpos de 2008 à espera de um enterro

Luciana Cristo, iG Paraná |

Pouco mudou nas condições do Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba, 20 dias depois que a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) fez uma vistoria no local , mostrando a grande quantidade de corpos abandonados , a precariedade de trabalho dos profissionais e o vazamento de chorume das câmaras frigoríficas. De lá para cá, a superlotação de corpos esperando para serem enterrados diminuiu, mas não o suficiente para regularizar a operação. E isso tem resultados.

A estrutura precária do IML de Curitiba aumenta a dor de muitos familiares que aguardam a liberação de um corpo. Na tarde desta quarta-feira, Maria Ângela Hames, de 47 anos, finalmente conseguiu que o corpo do seu filho, Rudinei Hames, de 28 anos, fosse liberado, depois de quatro meses de espera. “A demora aconteceu porque não saía o resultado do exame de DNA. Ficavam de me ligar, nunca ninguém me telefonou e eu precisava voltar aqui. Vim mais de dez vezes até conseguir”, desabafa Maria Ângela, moradora de São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, enquanto aguardava os restos mortais do filho serem colocados em um caixão.

De acordo com o que foi repassado nesta quarta-feira pela direção do IML à comissão da OAB-PR, corpos que estavam à espera de um destino desde 2008 tiveram prioridade e começaram a ser enterrados. Dos mais de 120 corpos encontrados no IML no mês passado, metade teve um destino, após as pressões sobre o órgão.

No entanto, com a entrada de novos corpos, a quantidade ainda é grande, de 75 a 80 (que seriam de pessoas não identificadas), sendo que a situação pode ser considerada normal quando houver apenas 40 corpos. A promessa é que esse número possa diminuir em até três semanas, segundo informação do  diretor do IML, Porcídio D’Otaviano de Castro Vilani à OAB-PR.

O cheiro de chorume continua forte por todo o local, nos corredores e até mesmo fora das instalações. Panos tapando o vão das portas para tentar conter que o líquido se espalhe também continuam, conforme constatou a OAB-PR. A explicação técnica para o vazamento do chorume ainda não saiu, embora a direção do IML garanta que o líquido não vá para a rede de esgoto comum.

Na avaliação geral, a comissão da OAB não ficou muito convencida com o que viu. A impressão que ficou foi de muita conversa e pouco resultado. “Foi nos passado um projeto muito bonito de coisas que poderão ser feitas”, disse a vice-presidente da comissão da OAB-PR, Isabel Mendes.

O laudo da Vigilância Sanitária de Curitiba, solicitado pela OAB-PR, já está pronto e deve ser apresentado aos secretários da Segurança Pública e da Justiça nos próximos dias. Dependendo das informações que constarem no documento, se não houver melhorias em breve, pode haver um pedido de interdição do local.

Sem respostas

O diretor do IML se recusou a conversar com a imprensa depois das explicações que deu aos advogados da Comissão de Direitos Humanos. A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Reinaldo de Almeida César não comentaria a situação nesta quarta-feira.

Logo depois do primeiro relatório da OAB-PR, Almeida César disse que está trabalhando para que sejam comprados, em caráter emergencial, 25 novos carros para o instituto e que deve contratar 120 funcionários em dois meses. Uma nova sede para o IML de Curitiba, no bairro Vila Izabel, tem projeção de ser entregue em julho de 2013.

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