Julgamento do caso Evandro é suspenso e será retomado neste sábado

Juiz encerrou o dia com depoimento de Beatriz Abagge, acusada de ter matado o garoto em um ritual de magia negra

Luciana Cristo, iG Paraná |

Com o depoimento de Beatriz Abagge, o juiz Daniel Avelar, do 2º Tribunal do Júri de Curitiba, encerrou os trabalhos desta sexta do julgamento sobre o mistério que envolve a morte do menino Evandro Ramos Caetano, desaparecido em 1992. Ela é acusada de ter matado o menino para usar partes do seu corpo em um ritual de magia negra. A pedido da defesa, todas as pessoas foram retiradas de plenário, inclusive os advogados auxiliares da própria defesa. O depoimento durou pouco mais uma hora.

Veja a cronologia do caso e a versão da defesa e dos acusados

O julgamento será retomada por volta das 8h30 deste sábado. Diferente dos longos 34 dias de duração do primeiro julgamento da acusada, este deve ser bem mais rápido. Para o início dos trabalhos neste sábado, a promotoria terá direito de argumentar por, no máximo, uma hora e meia, seguida pela defesa. A sentença deve sair durante a tarde.

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Beatriz Abagge, durante o julgamento desta sexta
Ao todo, sete testemunhas foram ouvidas ao longo do dia, três da acusação e quatro da defesa. A última testemunha a ser ouvida, o delegado Luiz Carlos Oliveira (que ajudou nas investigações), causou um certo alvoroço no plenário ao acusar o tio de Evandro, Diógenes Caetano, do sumiço do menino.

Na época, foi Diógenes quem fez as acusações contra Celina e Beatriz Abagge, que teriam planejado um ritual de magia negra com partes do corpo de Evandro.

O juiz que conduz o julgamento, Daniel Avelar, então perguntou se o delegado teria um suspeito de ser o responsável pelo sumiço do menino. "Diógenes Caetano. Ele foi uma das pessoas, mas pode haver mais. Essas sete pessoas não fizeram nada", declarou.

Com a insistência do juiz em saber quem mais poderia estar envolvido no caso e na acusação da família Abagge, Oliveira disparou: "O Ministério Público, a Polícia Militar, o Poder Judiciário", disse, causando tumulto na plateia.

Quando Oliveira terminou de ser ouvido, o promotor Paulo Sérgio de Lima pediu providências ao juiz. "Que se apurem as denúncias e, se não for comprovado, que a testemunha responda pelas afirmações que fez, de que a magistratura paranaense foi iludida", afirmou ele.

Sobre o corpo

As discussões sobre a identidade do corpo continuaram à tarde - como já havia acontecido pela manhã . Oliveira disse acreditar que o corpo encontrado não é o de Evandro. "Sempre acreditei que aquele cadáver não era o de Evandro de maneira nenhuma, poderia até ser o de Leandro", respondeu, referindo-se ao desaparecimento de um outro menino, Leandro Bossi (então com sete anos), dois meses antes do caso de Evandro. "O Evandro tem uma foto com a bermuda (que seria com a qual ele foi encontrado) na altura do joelho e o corpo encontrado estava de short", afirmou.

Entre as outras testemunhas, os delegados que atuaram no Grupo Tigre (especializado na investigação de sequestros que atua no Paraná) em 1992, Leila Bertolini e Adauto Abreu de Oliveira, também foram ouvidos e disseram que, enquanto conduziram o caso, não havia indícios que apontassem para Beatriz e Celina Abagge.

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Maria e Ademir Caetano, pais do menino Evandro Ramos Caetano

A delegada Leila comentou ainda sobre o fato de as chaves da casa de Evandro terem sido encontradas no matagal, perto do corpo: "A impressão era de que as chaves foram colocadas ali para que se dissesse que o corpo era dele", observou.

Exames de DNA

A defesa de Beatriz fez 20 pedidos para que o corpo do Evandro fosse exumado e um novo exame de DNA pudesse ser feito, para que acabassem as dúvidas sobre a identidade do cadáver. "Todos os pedidos foram negados pela promotoria do caso", afirma o advogado da defesa, Adel El Tasse. De acordo com ele, dois laudos iniciais do caso deram resultado inconclusivo e o terceiro, apenas, deu positivo, a partir de um dente de leite da criança.

A promotoria argumenta, no entanto, que uma perícia oficial, de comparação da arcada dentária do corpo achado com as fichas de atendimento dentário de Evandro, assim como laudo de DNA (feito com base em restos mortais extraídos do corpo), tiveram resultado positivo - e que isso seria suficiente para atestar que o corpo é do menino.

Dessa forma, segundo a promotoria, o primeiro laudo preliminar atestou que o cadáver era do sexo masculino e o segundo, resultante do confronto genético entre as peças extraídas do cadáver e o sangue dos pais de Evandro, atestou que o corpo era, de fato, do garoto.

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