Inimigo de Requião, Richa faz 100 dias parecidos com antecessor

Governador declarou moratória nas contas públicas do Estado e nomeou parentes para o primeiro escalão

Luciana Cristo, iG Paraná |

AE
Beto Richa (PSDB), governador do Paraná
O moderno ficou muito parecido com o antigo. Depois de oito anos com Roberto Requião (PMDB) no governo do Paraná, o tucano Beto Richa (PSDB), que tanto quis mostrar durante a campanha eleitoral o estilo que o diferenciava do antecessor, começou sua gestão com ações idênticas às tomadas nos primeiros dias de Requião: contratação de parentes para a administração pública e declaração de moratória nas contas públicas do Estado.

Com o forte apoio popular, eleito ainda no primeiro turno, com 52,44% dos votos (pouco mais de 3 milhões), Beto Richa deu amplos poderes para sua mulher, Fernanda Richa, e para o irmão, José Richa Filho. Fernanda foi nomeada secretária estadual da Família e do Desenvolvimento Social (que agrega as antigas pastas da Criança, do Adolescente e da Ação Social), enquanto Richa Filho ficou encarregado da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (até então secretarias de Transporte e de Obras).

A principal mudança nos primeiros 100 dias de governo ficou por conta das conversas e debates com os mais diferentes setores do Estado. É uma tentativa de se diferenciar de Requião. “Truculência e cara feia ficaram para trás. Comigo não vai ter isso. Uma das marcas do nosso governo será o diálogo”, repetiu Richa em alguns eventos. Essa característica também fez com que Richa não comprasse briga com nenhum setor até agora.

Do outro lado, pouco se avançou em resultados. Os primeiros projetos do governo chegaram à Assembleia Legislativa do Paraná apenas na última semana de março. Até agora, o projeto governamental mais comentado é o Paraná Competitivo, cuja meta é aumentar a competitividade da economia do Paraná nos mercados nacionais e internacionais.

Gargalos

O principal gargalo do Paraná para aumentar essa competitividade está ligada à infraestrutura. O Aeroporto Internacional Afonso Pena perde a chegada de cargas e de aviões maiores por causa dos entraves ao projeto de construção da terceira pista. Um dos primeiros passos para isso depende do governo Richa: a desapropriação de terrenos de famílias que estão no entorno do aeroporto. Apesar da promessa do secretário Richa Filho de fazer a desapropriação até o final deste ano, não há verbas suficientes para isso.

Nesses primeiros meses, os grandes desafios chegaram ao governador do Paraná com a s chuvas que destruíram parte do litoral do Estado em março e a precariedade na segurança pública, sem policiais, sem peritos criminais, sem veículos, com acúmulo de trabalho e com imenso atraso nas investigações.

A grande polêmica, que recebeu imenso apoio popular, ficou por conta do cancelamento das aposentadorias de ex-governadores que assumiram o cargo depois de 1988 , uma economia de quase R$ 100 mil por mês aos cofres do Estado. Fora Requião, os outros três governadores atingidos, aliados de Richa, não se sentiram muito à vontade para comentar a decisão.

Outros pontos continuam na promessa, como a redução da tarifa do pedágio, que também foi compromisso assumido por Requião, que não teve sucesso ao comprar briga declarada com as concessionárias. Richa disse que ia conversar, aconteceram algumas reuniões, mas o assunto morreu na praia. Contratação de mais pessoal, nas áreas da segurança e da educação, assim como aumento salarial, também continuam na promessa. Nesses casos, as semelhanças com Requião continuam.

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