Escola recua e decide abolir "tolerância zero" com atraso de alunos

Após pressão do Conselho Tutelar e da Secretaria de Educação, diretora permite que alunos atrasados tenham aulas normalmente

Luciana Cristo, iG Paraná |

O impacto da exigência teve uma resposta positiva. Nossa segunda aula não tem sido mais tão tumultuada quanto a primeira. Nossa preocupação era voltar à estaca zero. Queremos eliminar a cultura do segundo horário, que cria uma situação de conforto para o estudante”, diz a diretora da escola

Depois da repercussão da medida do Instituto de Educação Estadual de Maringá (cidade a 436 quilômetros de Curitiba), que resolveu mandar para casa alunos que chegam atrasados na escola, perdendo as cinco aulas do dia, a direção do colégio recuou na decisão.

A postura foi revista durante reunião com o conselho tutelar da cidade e com o Ministério Público, nesta quinta-feira. A partir de agora, os alunos atrasados poderão entrar na escola e assistir às demais aulas. Cada atraso será checado pela diretoria.

Para embasar a argumentação de que a escola não poderia recusar a entrada dos alunos, o conselho tutelar utilizou reportagem publicada pelo iG citando a posição contrária da Secretaria de Estado da Educação à determinação do colégio.

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No entendimento da diretora do Instituto de Educação, Neide Gomes Clemente, a escola não foi desautorizada. “Vamos continuar fechando o portão no horário, mas o aluno será acolhido pela escola, que vai verificar a justificativa para o atraso”, diz. A escola estuda agora a possibilidade de que os alunos entrem na sala ainda durante o primeiro horário, para não ficarem livres, sem fazer nada, no pátio, por exemplo.

Quanto às justificativas, elas serão enumeradas até a próxima segunda-feira, depois de conversas com os pais e com os professores, informa a diretora. “Para aqueles alunos que forem reincidentes e chegarem mais de três vezes atrasados, com uma justificativa não plausível, vamos formular um comunicado que será enviado ao conselho tutelar, que então vai se responsabilizar e acionar a família”, afirma Neide.

Na semana passada, quando a rigidez para o horário de chegada foi adotada, um conselheiro tutelar chegou a ser impedido de colocar aproximadamente 25 alunos para dentro das salas, segundo conta o conselheiro tutelar Vandré Fernando. “Isso foi um abuso de autoridade”, critica ele.

Avaliação positiva

De acordo com a diretora do Instituto de Educação, o endurecimento nas regras foi produtivo, diminuindo os diversos atrasos diários que ocorriam no colégio. “O impacto da exigência teve uma resposta positiva. Nossa segunda aula não tem sido mais tão tumultuada quanto a primeira. Nossa preocupação era voltar à estaca zero. Queremos eliminar a cultura do segundo horário, que cria uma situação de conforto para o estudante”, avalia.

Segundo ela, a escola tinha uma média de 80 a 100 alunos chegando atrasados, todos os dias, geralmente quatro por turma. “Hoje (quinta-feira) à tarde, foram apenas dois”, exemplifica ela.

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