Desabrigados do litoral do PR serão remanejados

Aproximadamente 700 famílias devem ser encaminhadas para casas provisórias

Luciana Cristo, iG Paraná |

As fortes chuvas que devastaram o litoral do Paraná há mais de duas semanas deixaram algumas marcas definitivas. Aproximadamente 700 famílias, das cidades de Morretes, Antonina, Paranaguá e Guaratuba, não vão poder voltar para suas casas, que estão em área considerada de alto risco, depois de análises técnicas que foram feitas por geólogos.

Divulgação/ Governo do Paraná
Vista área da cidade de Morretes, que decretou estado de calamidade pública e teve 8 mil desalojados
No morro Laranjeiras, em Antonina, pelo menos 105 casas que ficavam nas encostas estão condenadas, com alto risco de desabamento. Foi nesse morro que uma pessoa morreu soterrada durante as chuvas. Algumas poucas residências que ficam na parte plana do morro ainda podem ser liberadas para a ocupação, mas a decisão final requer uma análise técnica mais detalhada - o que deve demorar, de acordo com informações do major Antônio Hiller, da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil.

Para atender essas pessoas e retirá-las o quanto antes de abrigos públicos, como escolas e igrejas, foi montado um esquema especial para que elas fossem levadas para casas provisórias, já que o processo de reconstrução de novas casas é estimado em pelo menos seis meses. Enquanto isso, as casas provisórias vão retirar, ainda esta semana, quem está sem um lar. São locais disponibilizados pelas prefeituras que a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) está ajudando a pintar e reformar.

Em um segundo momento, serão construídas novas casas, para as quais já foi feito um levantamento de áreas disponíveis. O governo do Paraná deve insistir, em Brasília, pela abertura de uma linha de crédito específica para os atingidos pelas chuvas dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para financiar a construção dessas novas moradias. “Precisamos atender também 160 residências da área rural de Paranaguá e Morretes”, lembra o presidente da Cohapar, Mounir Chaowiche.

Outras comunidades, como a do vilarejo de Floresta, na cidade de Morretes, continuam com seu futuro incerto, enquanto os moradores permanecem em abrigos ou em casas de familiares e amigos. Ainda esta semana, o governo do Paraná deve contratar uma consultoria técnica para avaliar a situação de Floresta, de onde cerca de 150 pessoas foram retiradas pelas equipes de resgate, com o auxílio de barcos e helicópteros.

Recorrer à consultoria técnica foi a alternativa encontrada para suprir a falta de geólogos à disposição do Estado para fazer os trabalhos. “Temos uma extensão territorial bastante grande que foi atingida e a demanda é muito maior do que os técnicos em geologia que o Estado dispõe para avaliar”, explica o major Hiller.

Nesta terça-feira, uma reunião na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística deve finalizar a análise técnica da situação atual para que o Paraná possa receber investimentos emergenciais do governo federais. Os recursos foram prometidos pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, mas precisam de justificativa técnica bem embasada, a ser preparada pelo Estado, para serem liberados. Os prejuízos, ainda em caráter preliminar, são estimados em R$ 104 milhões. A maior parte desse valor, quase R$ 70 milhões, diz respeito a casas destruídas ou danificadas.

Volta às aulas

Depois de duas semanas, os alunos que estavam sem aulas por causa dos transtornos provocados pela chuva voltaram às salas de aula nesta segunda-feira. De acordo com o núcleo regional de educação de Paranaguá, responsável pelas escolas da região, o abastecimento de água ainda está sendo feito de forma parcial e as escolas receberam orientação para economizar água.

Das duas escolas estaduais em Morretes, 160 alunos do período noturno do Colégio Estadual Vereador Osny David Fraga são os únicos que continuam com as aulas suspensas temporariamente, porque a escola ainda recebe moradores que ficaram desabrigados. A proposta do novo calendário escolar, para reposição das aulas, é de aulas durante dez sábados seguidos. “Definiremos com os diretores como serão os registros nos livros de chamada de uma forma legal. Faremos trabalho pedagógico especial com esses alunos para que não sejam prejudicados”, afirmou a chefe do núcleo regional de educação, Selma Camargo Meira.

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