Concurso pede média de assassinatos e valor de repasse a hospital

Em Colombo, prova para administração pública exigia números tão específicos que levou candidatos a suspeitar de fraude

Luciana Cristo, iG Paraná |

As provas do concurso público da prefeitura de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, causaram revolta em candidatos a diferentes vagas nas áreas de administração municipal e saúde. Aplicadas no domingo (21), as provas continham perguntas de conhecimentos gerais bem específicas sobre a realidade municipal.

Uma das questões pedia que o candidato informasse qual foi a média de assassinatos na cidade no mês de janeiro, com as alternativas de um assassinato por dia, um assassinato a cadas dois, três ou quatro dias. O problema é que as estatísticas sobre a cidade (e sobre o Estado do Paraná) são controversas e ninguém sabe ao certo em que número se basear.

Outra pergunta pedia ao candidato que informasse quanto a prefeitura repassou ao Hospital da Santa Casa de Colombo entre os anos de 2005 e 2010, com as opções de resposta: Aproximadamente R$ 6,6 milhões; R$ 7,6 milhões; R$ 8,6 milhões ou R$ 9,6 milhões.

Na saída da prova, as reclamações eram as mesmas entre candidatos de diferentes vagas. “Havia perguntas muito específicas, nem as pessoas que moram em Colombo devem saber as respostas. Ficou parecendo que tinha perguntas meio marcadas”, afirma a psicóloga Clarissa Ribeiro, uma das candidatas que fez a prova.

A prefeitura de Colombo nega irregularidades no processo, alegando que contratou uma empresa séria (Exatus Promotores de Eventos e Consultorias), sob licitação, para cuidar da elaboração da prova.

“A comissão do concurso da prefeitura só tomou conhecimento das questões na hora da prova, assim como os candidatos. Algumas perguntas de conhecimentos gerais foram polêmicas, mas, segundo informação da própria empresa, estava dentro do conteúdo programático estabelecido, que previa conhecer a realidade da Região Metropolitana de Curitiba, e foram retiradas de jornais da cidade ou da região”, afirmou o consultor jurídico da prefeitura, Cristiano Baratto. Ele nega que tenha havido favorecimento. “A dificuldade foi igual para todos”, disse.

O prazo para entrar com recurso para questionar as perguntas consideradas polêmicas se encerrou na tarde desta quarta-feira (23), segundo a prefeitura de Colombo. No entanto, o Ministério Público em Colombo orienta as pessoas que se sentiram lesadas com o concurso a procurar o órgão e formalizar a reclamação, o que pode dar início a uma investigação e desencadear uma possível suspensão do concurso.

Outros casos

Nos últimos meses, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu a suspensão de vários concursos de prefeituras e Câmaras Municipais no Estado. O caso mais recente foi o da Câmara de Vereadores de São Jorge D’Oeste (oeste do Paraná), no início deste mês.

O MP-PR pediu o cancelamento antes de as provas serem aplicadas. Foram verificadas irregularidades no edital do processo seletivo que poderiam configurar favorecimento no concurso. Além do cancelamento da prova, o promotor de Justiça da comarca, Eduardo Cambi, recomendou que o edital fosse republicado, para que constasse os critérios da contagem da prova de títulos, inexistentes no documento inicial, além de reabertura das inscrições, com ampla divulgação.

No caso de concurso da cidade de Farol (região central do Paraná), o marido da prefeita Dina Cardoso (PMDB) aparecia como o primeiro colocado, além de suspeitas de plágio em questões da prova.

Em Candói (centro-sul), o concurso também foi suspenso antes de acontecer: havia indícios de que a empresa contratada para fazer o concurso fora aprovada de modo irregular.

No litoral do Paraná, o MP-PR suspendeu, em 2010, concurso da prefeitura sob alegação de inconstitucionalidade de uma das cláusulas de desempate do certame, que beneficiava o candidato que já tem tempo no serviço público. A prefeitura de Guarapuava (centro-sul) e a Câmara Municipal de Primeiro de Maio (norte do Paraná) também tiveram seus concursos suspensos recentemente.

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