Chuvas isolam parte do litoral do Paraná e bloqueiam estrada a SC

Temporais destruíram pontes e provocaram deslizamentos de terra nas principais estradas do Estado

Luciana Cristo, iG Paraná |

As principais vias de acessos do Paraná a Santa Catarina estão interditadas por causa do forte temporal que atinge a região desde o início da madrugada desta sexta-feira. Parte do litoral do Paraná também está isolado, em decorrência de desmoronamento de terra, abertura de uma cratera e queda de três pontes na BR-277, principal via de acesso ao local.

Futura Press
Metade da cidade de Morretes, no litoral do Paraná, está embaixo d'água

As estruturas da Ponte do Rio Sagrado I, no quilômetro 24, da ponte sobre o Rio Jacareí, no quilômetro 18, e da Ponte do Rio Sagrado II, no quilômetro 28, todas na BR-277, sentido cidade de Paranaguá, foram completamente destruídas pela água, durante esta tarde. Perto dali, no quilômetro 13,5, uma cratera de aproximadamente dez metros foi aberta na pista, impossibilitando qualquer tentativa de passagem pelo local. E, menos de dois quilômetros adiante, um desabamento de terra soterrou um veículo. Não houve feridos.

Outra rodovia principal do litoral do Paraná, a PR-508, que liga os municípios de Alexandra e Matinhos, também está com vários pontos de interdição por conta de alagamentos. A via está completamente bloqueada próximo da entrada da cidade de Morretes. Não há previsão de que a situação seja normalizada.

O caos que se formou no litoral por causa das fortes chuvas fez a prefeitura de Morretes declarar estado de emergência. Em todo o litoral já são 16 mil pessoas afetadas pela chuva, 10 mil só em Morretes. Uma pessoa está desaparecida em Guaratuba, também no litoral do Paraná. Em menos de dois dias, já choveu mais da metade do total previsto para todo o mês de março na região.

Com o grande volume de água, os 21 presos da delegacia de Morretes precisaram ser transferidos às pressas para um local improvisado, em um caminhão que está em um posto de combustíveis, perto da delegacia. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), vai ser necessário esperar a água baixar para transferir os presos para a delegacia de Paranaguá, cidade vizinha a Morretes, e ao Centro de Triagem II, em Piraquara, cidade da Região Metropolitana de Curitiba.

Divulgação/Governo do Paraná
Estrada para o litoral do Paraná fechada após deslizamento de terra

Acesso a Santa Catarina

Desde a manhã desta sexta-feira, a rodovia BR-376, que liga o Paraná a Santa Catarina, está totalmente interditada nos dois sentidos por conta de duas quedas de barreira e de um afundamento de pista. Até o início da tarde, os motoristas ainda podiam desviar pelo acesso da Serra Dona Francisca. No entanto, uma nova queda de barreira aconteceu também neste local, causando interdição. Às 19h, este acesso foi liberado, mas com o alerta e que pode ser fechado novamente a qualquer momento. Novas quedas de barreira podem acontecer em vários pontos, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A recomendação oficial da PRF é de que todos os que puderem adiem a viagem por esses trechos. Quem precisar fazer a viagem de Santa Catarina ao Paraná ainda pode recorrer à BR-116.

A concessionária Autopista Litoral Sul, que administra o trecho, disponibiliza um telefone para auxílio aos motoristas e atendimentos de emergência: 0800-725-1771.

Força-tarefa

O governo do Paraná criou uma força-tarefa para atender a população do litoral. Uma equipe de médicos, bombeiros, geólogos e integrantes da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil foi enviada aos municípios de Morretes e Antonina para fazer o atendimento emergencial dos moradores da região, junto com um caminhão com 12 toneladas de donativos.

Uma equipe da empresa Minerais do Paraná S.A. (Mineropar) está em Antonina para avaliar as encostas e o risco de desmoronamentos de terra. Junto com a Defesa Civil, a equipe percorre a cidade alertando os moradores das áreas de maior risco.

Equipes da 1ª Regional de Saúde, de Paranaguá e do Centro de Informações Estratégicas e Respostas de Vigilância em Saúde vão disponibilizar medicamentos e hipoclorito de sódio, produto utilizado para a desinfecção da água para consumo humano. Agora, a principal preocupação é com doenças que podem ser contraídas em situações de enchentes, como leptospirose, hepatites virais e gastroenterites. Como houve interrupção no sistema público de abastecimento de água, há risco de que a população consuma água sem tratamento.

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