Após queixas de usuários, Curitiba vai mudar suas ciclovias

Cidade tem cem quilômetros de ciclovias, uma das maiores do País, e vai mudar perfil das vias de lazer para transporte

Luciana Cristo, iG Paraná |

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Ciclista em Curitiba: principal reclamação é a falta de segurança das vias
Curitiba tem cem quilômetros de ciclovias, uma das maiores malhas do País - esse trecho representa, por exemplo, a distância entre São Paulo e Campinas ou Rio de Janeiro e Teresópolis. O uso de bicicletas está incorporado ao cotidiano da cidade. Porém, ao longo dos últimos meses tem havido um número crescente de reclamações e protestos contra as condições das vias, principalmente por conta de falta de segurança e ausência de ligação entre elas. A prefeitura concorda com algumas delas e prepara mudanças no desenho das faixas.

Na capital paranaense, essas críticas levaram ao surgimento de um grupo interessado em mudar a concepção do uso da bicicleta, chamado "Bicicletada Curitiba". Vista geralmente como meio de lazer, o que os membros da Bicicletada pretendem é que o setor público seja, de fato, um meio de transporte.

“Temos uma rede mal cuidada, sem sinalização adequada e falta de uma política que mostre que o carro tem que respeitar a bicicleta e o pedestre”, critica o professor Jorge Brand, que prefere utilizar a bicicleta sempre que possível.

Para outro participante da Bicicletada de Curitiba, Gabriel Nogueira, resolver a questão não é complicado. “A infraestrutura já existe, com as milhares de ruas asfaltadas podem ser compartilhadas com as bicicletas. Só falta a prefeitura pintar algumas baratas e seguras ciclofaixas”, reforça. Ele cita ainda exemplos de cidades como Bogotá, Barcelona e Londres que incluíram a bicicleta no projeto urbanístico.

A fiscalização das ciclovias de Curitiba é feita pela Ciclo Patrulha, um grupo da guarda municipal. O problema é que, em muitos pontos, a ciclovia é um espaço compartilhado com o pedestre.

Bicicletários

A prefeitura de Curitiba construiu seis bicicletários pela cidade, mas que na prática não funcionam. Nos últimos anos foram abertas duas licitações para contratação de empresas que administrassem os espaços, mas não surgiram interessados.

Os bicicletários públicos, com 45 metros quadrados de área coberta (hoje vazios), estão no Parque São Lourenço, no Jardim Botânico, no Centro Cívico, nas Ruas da Cidadania do Pinheirinho-Carmo e no eixo de animação da avenida Arthur Bernardes, no bairro Santa Quitéria. Em um novo projeto pensa-se em colocar paraciclos (espaços específicos para deixar a bicicleta), mas isso ainda não foi implantado.

Mudança

Quando as ciclovias surgiram em Curitiba, na década de 1970, elas estavam voltadas muito mais para os parques da cidade, reforçando a ideia de lazer. Agora, a prefeitura afirma que a falta de ligação entre as ciclovias está mudando.

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Ciclo Patrulha, grupo da guarda municipal que fiscaliza as ciclovias da cidade: bicicletas e pedestres dividem, muitas vezes, o mesmo espaço
Está em estudo um Plano Diretor Cicloviário, previsto no plano de mobilidade urbana, cujo princípio básico é a conexão da rede de ciclovias existente a novos ramais, permitindo até ligações entre as cidades da região metropolitana.

“Novas obras já estão de acordo com esse plano diretor, como na rua Toaldo Túlio, que tem circulação compartilhada entre ciclistas e motoristas. Esta rua vai se conectar a rua Fredolin Wolf (bairro São Braz), que também tem estrutura, chegando até o Parque São Lourenço”, explica a coordenadora de mobilidade urbana e transportes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Maria Miranda.

O prazo de término da obra é dezembro deste ano. Na Avenida Marechal Floriano Peixoto (no centro da cidade), serão implantados cinco quilômetros de ciclofaixa na via, com sinalização especial, também prevista para ficar pronta até o fim do ano.

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