Citando 'Diário de um Detento', preso posta em rede social de dentro da cela

Por Carolina Garcia - iG São Paulo |

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Acusado por homicídio em Pinhais (PR), jovem desabafava pelo Facebook. Polícia achou smartphone após denúncia

O jovem Andrey de Paula Machado, de 20 anos, descobriu como manter contato com família e amigos via redes sociais mesmo após sua prisão. Acusado de matar a tiros Maurício Gulgielmin, de 23, por ciúmes de sua namorada, Machado aguarda júri na carceragem da Delegacia de Pinhais, cidade da região metropolitana de Curitiba (PR). “Bom dia, galera. Mais um dia vejo o dia passar. Mato o tempo para ele não me matar”, disse na última sexta-feira (11), às 7h17, inspirado nos versos da música Diário de um Detento, dos Racionais MC's.

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Detido em junho deste ano, Machado passou a mandar mensagens para a família e amigos pelo Facebook desde quarta-feira (9). Em um dos primeiros registros, que chegou a ser apagado, ele disse estar com "saudades da quebrada e da família". Uma hora depois, avisou que ficaria off-line para o almoço. "Uma boa tarde pra noix apesar do lugar vo almoça no mais to de volta (sic)". A publicação deu espaço para amigos e familiares escreverem mensagens de apoio.

Reprodução do perfil de Andrey Machado na rede social Facebook. Postagens foram feitas dentro de delegacia de Pinhais. Foto: ReproduçãoReprodução do perfil de Andrey Machado na rede social Facebook; postagem feita no dia 9 de outubro. Foto: ReproduçãoReprodução do perfil de Andrey Machado na rede social Facebook; postagem feita no dia 9 de outubro. Foto: ReproduçãoAndrey Machado, de 20 anos, está preso desde junho e mantinha celular dentro de cela na carceragem. Foto: ReproduçãoVítima Maurício Gulgielmin, de 23 anos, ao lado de sua mãe Marise. Foto: Arquivo pessoal

O delegado-titular Marcelo Magalhães não recebeu com surpresa a denúncia do acesso à internet na carceragem. E muito menos partindo do experiente Machado, que já ficou preso por tentativa de assalto no mesmo DP. Naquela sexta-feira, dia 11, quando o jovem desabafava com o trecho da música na rede social, o policial ordenaria uma varredura entre as celas. Nada foi encontrado entre os 80 presos que ocupavam o lugar, onde há capacidade para 16. “Fizemos isso [varredura] porque o Andrey estaria mandando SMS com ameaças aos conhecidos da vítima. A superlotação com certeza atrapalhou a checagem”, explicou.

Divulgação/Polícia Civil
Andrey Machado, apontado como responsável pela morte de Maurício Gulgielmin, em Pinhais

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Não ser pego pela varredura alimentou a coragem do preso, que avançou para as redes sociais. Com as novas denúncias e provas, foi fácil encontrar o dono do smartphone escondido na cela. “O policial foi para o corredor e gritou: ‘Quem anda postando no Facebook?’. O celular logo apareceu [foi lançado no corredor], era um smartphone, desses com 3G e tudo”, disse o delegado. A presença de celulares entre detentos não é novidade, mas o investigador confessou que foi surpreendido pela ousadia de Machado. “Agora vamos investigar como ele conseguiu o aparelho, se for provado que era dele, poderá sofrer punições administrativas”.

O crime

Maurício Gulgielmin foi morto a tiros no dia 29 de março, no bairro Estância Pinhais. Para a Polícia Civil, que investigou o caso, a vítima comia em um carrinho do cachorro-quente na calçada de uma casa noturna, quando foi alvejado por vários disparos pelas costas. A motivação do crime seria passional. Gulgielmin teria se relacionado com a atual namorada de Machado.

A prisão do suspeito foi decretada após ter sido reconhecido por testemunhas. No mês de junho, no dia 20, ele foi detido por investigadores em sua casa, no bairro Ouro Fino, em São José dos Pinhais. Durante interrogatório ele negou o crime, mas a polícia garante ter fortes indícios contra o suspeito. Como responde por atentado contra a vida, Machado deve enfrentar júri popular. A primeira audiência de instrução – período que antecede o julgamento – deverá ser realizada durante o mês de dezembro.

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