Polícia corrige termo em gravação que incrimina médica no Paraná

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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'Com a cabeça bem tranquila para raciocinar' virou 'para assassinar'. Departamento assume que autos foram corrigidos com o novo verbo, mas não comenta responsabilidades

Henry Milléo/Gazeta do Povo/Futura Press
Virginia Helena Soares de Souza, médica chefe da UTI do hospital Evangélico, é presa por policiais

Após transcrever escutas telefônicas, que motivaram a prisão da médica Virgína Soares, acusada de acelerar a morte de pacientes em UTI no Hospital Evangélico de Curitiba (PR), a Polícia Civil do Estado trocou alguns termos no inquérito. Virgínia teria dito que estava "com a cabeça tranquila para assassinar", porém, a nova versão apresentada no inquérito, seria "com a cabeça tranquila para raciocinar".

Por meio de nota, o Departamento da Polícia Civil informa que a delegada do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) Paula Brisola não poderia comentar nada sobre as interceptações telefônicas realizadas já que estão "sob sigilo legal". Segundo o texto, "se alguém tomou conhecimento de parte do inquérito, via advogados de defesa e nunca Polícia Civil". Ao ler a nova versão, "há nos autos uma corrigenda substituindo o verbo "assassinar" por "raciocinar"."

O erro: 'Cabeça bem tranquila para assassinar' ao invés de 'raciocinar' 
Mais: Médica indiciada por mortes de pacientes é levada para prisão feminina 

O advogado de defesa, Elias Mattar Assad, apontou o erro como um dos fatos que "fizeram diferença e provocaram a prisão temporária e em seguida, preventiva" de sua cliente. "Podemos afirmar que esse erro foi o marco inicial do processo de demonização dela", disse.

O departamento nega que a correção poderia afetar a prisão da acusada e dos outros envolvidos. "Todos os mandados de prisão expedidos pela Justiça neste caso, até o momento, foram concedidos devido à análise de um inquérito com cerca de mil páginas e não por um verbo, como tenta provar o advogado de defesa de uma das suspeitas."

A delegada manteve o silêncio sobre o caso e reafirmou que falará sobre o assunto somente depois de conversar com os familiares de Ivo Spitzner, Paulo José da Silva, Pedro Henrique Nascimento, André Luis Faustino e Luiz Antônio Propst, que morreram entre os dias 24 e 28 de janeiro deste ano na UTI do hospital.

*com AE

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