Jéssica Röhl ajudou a organizar a festa universitária 'Agromerados', mas foi convencida pelo namorado a não ir. Casal bateu em carreta na rodovia PR-182, região de Toledo

O Dia

Jéssica de Lima Röhl e o namorado Adriano Stefanel, que morreram em acidente no Paraná
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Jéssica de Lima Röhl e o namorado Adriano Stefanel, que morreram em acidente no Paraná

Uma jovem que participou da organização da festa universitária na boate Kiss, em Santa Maria, e deixou de ir à casa de show após o pedido da namorado, morreu em acidente automobilístico uma semana depois da tragédia. Jéssica de Lima Röhl, de 21 anos, era de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

O acidente ocorreu no último sábado (2). Jéssica e o namorado, Adriano Veber Stefanel, de 20 anos, trafegavam na rodovia PR-182, na região de Toledo, no oeste do Paraná, quando colidiram de frente com uma carreta. Ela cursava Administração na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 

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Confira a cobertura do iG sobre a tragédia de Santa Maria

Pouco mais de uma semana após a tragédia, Santa Maria começa a retomar a vida. Para superar as marcas deixadas pela perda dos 237 jovens, uma rede de ajuda foi montada para atender aos milhares de estudantes que retornaram às aulas. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criou um Centro de Acolhimento e vai contratar 20 profissionais para atender os alunos.

Nos próximos dois anos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e educadores reforçarão os quadros da UFSM. O espaço, perto da reitoria, será para palestras e atendimentos individuais. Os professores também receberam orientações sobre como lidar com os jovens.

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A coordenadora do trabalho, Marian Mouro, acredita que, com a retomada da convivência, os jovens vão superar o trauma. A UFSM perdeu 116 alunos e ex-alunos. “A estimativa é de que, com o tempo, apenas 5% apresentem trauma”, analisa.

Na cidade, o clima é de recomeço. A movimentação de pessoas e carros e a reabertura das lojas indicam que Santa Maria tenta superar o trauma. Hoje, Elissandro Spohr, o Kiko, sócio da boate, terá alta e será transferido para um presídio.

Ato ecumênico marca retorno difícil

Dois mil estudantes e alguns pais de vítimas se reuniram ontem para ato ecumênico, na Universidade Federal de Santa Maria. Eles foram recebidos pela Orquestra Sinfônica da faculdade. Todos rezaram de mãos dadas pelas famílias — 116 velas foram acesas em homenagem aos que morreram . Ontem, quatro pessoas receberam alta e agora restam 93 internados.

O padre Francisco Bianchini pediu que os estudantes se lembrem dos que se foram, mas que recomecem suas vidas. “Vamos reconstruir Santa Maria”, disse. Jandira Maria Ávila, que perdeu o filho Ericson, de 23 anos, fez questão de acompanhar o outro filho, Eric, no retorno às aulas. “Queremos encher o coração de esperança e das boas lembranças dele. A revolta e raiva não ajudam em nada”, desabafou.

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