Camaronês torturado é jogado ao mar na costa brasileira

A Polícia Federal (PF) do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Federal, investiga a tripulação de um navio acusada de lançar ao mar um homem de 28 anos, vindo de Camarões

Agência Estado |

Agência Estado

A Polícia Federal (PF) do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Federal, investiga a tripulação de um navio acusada de lançar ao mar um homem de 28 anos, vindo de Camarões, após tortura. Segundo a PF, o homem foi resgatado há cerca de um mês, em alto mar, a mais de 10 quilômetros da costa brasileira, mas procedimentos das investigações impediam a divulgação do caso.

O camaronês afirma ter deixado o país a procura de melhores condições financeiras. Ele embarcou clandestinamente em um navio com bandeira de Malta, no Porto de Douala, em Camarões. O homem afirma que não sabia qual destino teria o navio. Após seis dias escondido, o camaronês procurou a tripulação do navio de Malta. Segundo depoimento, ele afirma que foi trancado em uma sala da embarcação onde foi torturado e verbalmente agredido.

Após outros quatro dias trancado no ambiente, a tripulação o abandonou em alto mar com uma lanterna, uma pequena quantia em dinheiro, sobre um pallet (espécie de estrado de madeira usado para movimentação de carga). Segundo delegado chefe da delegacia da PF em Paranaguá, Gabriel Pucci, um navio proveniente do Chile encontrou o camaronês em alto mar e efetuou o resgate. O navio que salvou o homem entrou, então, em contato com as autoridades brasileiras para pedir autorização do desembarque do clandestino no Porto de Paranaguá.

Em depoimento, o homem disse ter colado uma fotografia sob a pia da sala onde ele teria sofrido as agressões. Com um mandado de busca e apreensão, agentes federais localizaram e concluíram a varredura na suposta embarcação na qual ele teria deixado Camarões. Pucci afirma que o clandestino foi muito específico ao detalhar o cenário de onde tinha sofrido as práticas violentas e a polícia pôde reconhecer o local. A fotografia continuava colada onde ele havia colocado, diz o delegado. A tripulação do navio nega a presença do camaronês.

    Leia tudo sobre: torturanaviocamarõesparanaguá

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG