A redução da vantagem do governador José Serra (PSDB) sobre a ministra Dilma Rousseff (PT) na última pesquisa Datafolha de intenção de voto, divulgada no sábado, levou o PPS, aliado nacional do PSDB, a deflagrar um movimento virtual para pressionar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), a integrar uma dobradinha com o governador paulista rumo à disputa presidencial. Em reunião a portas fechadas, a Executiva Nacional do PPS aprovou hoje por unanimidade a realização de ações na internet para atrair o apoio de lideranças políticas e da sociedade em geral à chapa puro-sangue tucana.

A primeira iniciativa, apoiada pela cúpula do partido, foi lançada de forma extraoficial na última sexta-feira. O presidente da sigla, Roberto Freire, fundou em parceria com o poeta Ferreira Gullar e o cineasta Zelito Viana o "Movimento Serra-Aécio", ação virtual que defende a dobradinha tucana como uma "alternativa ideal" para as eleições de outubro. No site (www.serra-aecio.com.br) criado para os seguidores da empreitada, que já reúne 4.490 pessoas, os organizadores conclamam internautas a aderirem a um manifesto que, de acordo com Freire, será entregue a Aécio Neves nas próximas semanas. "O objetivo é trabalhar para sensibilizar os dois governadores de que a formação da chapa puro-sangue é ideal para o momento atual do País", explicou o presidente nacional da sigla.

No manifesto divulgado no site do movimento, o PPS se refere aos governadores José Serra e Aécio Neves como figuras políticas que "deram demonstração de competência, vocação pública e de compromisso com mudanças". O documento elogia as iniciativas da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, mas pondera que o governo petista "fracassou ao não executar reformas agendadas e de grande alcance histórico como a política e a tributária". "Em poucos momentos da história, é possível unir duas lideranças ilibadas e representativas em torno de um projeto nacional democrático e progressista", salienta.

A última edição da pesquisa Datafolha mostrou uma queda de 14 para 4 pontos porcentuais na distância que separa Serra da petista Dilma Rousseff. As intenções de voto em Serra recuaram de 37% para 32%, em comparação com a edição anterior do mesmo levantamento, divulgado em dezembro. Já Dilma subiu de 23% para 28%, na mesma comparação. Com a divulgação dos dados, lideranças tucanas tem fechado o cerco sobre Aécio para que o governador desista de uma eventual corrida ao Senado por Minas Gerais e aceite disputar as eleições presidenciais ao lado de Serra. "Esse é o momento certo de trabalhar os nomes. Uma chapa com Serra e Aécio fortalece a oposição e tem grande impacto eleitoral", defendeu Roberto Freire.

O presidente do PPS minimizou o resultado do Datafolha. De acordo com ele, a euforia dos governistas quanto ao crescimento de Dilma "é despropositada". "Dilma ainda não atingiu nem os 30% históricos do PT. E olha que o presidente Lula vem fazendo campanha para ela há dois anos ao arrepio da lei", afirmou.

Freire acredita ainda que a pré-candidata petista deve seguir trajetória ascendente nas próximas pesquisas. "Ela cresceu e vai crescer mais ainda. Não tenho dúvida." O presidente da sigla, contudo, não vê ameaça na escalada da petista. "Serra, sem fazer campanha, continua na liderança. Imagine quando fizer campanha. Deve crescer disparado na liderança", opinou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.