PP retarda apoio a Dilma Rousseff

BRASÍLIA - O Partido Progressista (PP) é uma das legendas que apoiam o governo Lula no Congresso, mas não anda muito feliz. Seu presidente, Francisco Dornelles (RJ), tem reclamado do tratamento dado por Lula aos Estados produtores de petróleo, como o Rio de Janeiro, na partilha dos royalties do pré-sal.

Tales Faria, iG Brasília |

O encontro com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na noite de anteontem, foi considerado, pela cúpula da campanha da ministra à Presidência da República, como a recepção mais fria que ela recebeu das legendas aliadas ao governo.

Arquivo/Agência Brasil
O senador Francisco Dornelles
Em entrevista ao Portal IG, Dornelles avisa que o partido não decidirá tão cedo se apóia ou não Dilma, e que o governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, vem ganhando espaço.

iG - O senhor é primo do Aécio e muito amigo do governador de São Paulo, José Serra, com quem se entendeu muito bem quando ambos eram ministros de Fernando Henrique Cardoso. O PP vai apoiá-los?

Francisco Dornelles - Não se faz política por parentesco ou amizades. Partidos não têm parentes, têm aliados e adversários. O Serra nunca chamou o PP para conversar. Nem em São Paulo. Eu e ele, por exemplo, somos amigos, mas não nos falamos desde o governo FHC. Já o Aécio é diferente, convidou o PP a visitá-lo em Minas Gerais, teve um excelente encontro com o partido. Hoje, se formos fazer um levantamento, pode-se dizer que o Aécio já teria o apoio de uns oito diretórios, enquanto o Serra teria um só. Mas a ministra Dilma não está mal, tem uns 18 diretórios estaduais simpáticos à sua candidatura.

iG - O PMDB já está quase definido no apoio à Dilma. E o PP?

Francisco Dornelles - Olha, nós não temos pressa. Acho que esse negócio do PMDB foi bom para eles, mas não ajuda na conversa da ministra com os outros partidos. Afinal, ela já chega com a chapa fechada, com o Michel Temer (PMDB-SP) como o vice. Temos ainda muitos problemas nos Estados entre o PP e o PT que não estão sendo cuidados.

iG - Daí a fria recepção à ministra...

Francisco Dornelles - Não achei fria. Você achou? Ela causou a melhor das impressões dentro do partido. Foi muito simpática. Apenas abrimos o tempo para a candidata Dilma falar. A turma foi para ouvir, não para ficar naquela conversa paroquial, com cada parlamentar fazendo pedidos localizados à ministra. Só isso.

iG - E o senhor tem reclamado muito do presidente Lula na questão dos royalties...

Francisco Dornelles - Ora, o presidente combinou com o governador do meu Estado, o Sergio Cabral, que não iria tratar disso agora, e que o Rio não seria prejudicado. Mas o relator do projeto cortou em muito a parte que caberá ao Rio e disse que isso foi acertado com o presidente Lula. Estranho, não? Daí eu sustentar que esta foi a maior agressão jamais feita pelo governo federal contra o Estado do Rio. Como parlamentar do Rio,  não posso ficar calado.

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