PÓS-CRISE?-Pior momento no varejo brasileiro foi 1o trimestre

Por Stella Fontes SÃO PAULO (Reuters) - Os resultados de varejistas brasileiras no segundo trimestre mostram que o período marcou o início da recuperação do setor, que alcançou o fundo do poço nos três primeiros meses do ano, na avaliação de analistas.

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Melhora nas vendas, acompanhada de no mínimo estabilidade nas margens, e retomada dos planos de expansão sinalizam essa tendência.

Para o segundo semestre, a expectativa entre especialistas consultados pela Reuters é de que essas companhias sigam com desempenho crescente em relação ao período imediatamente anterior.

Uma das poucas ressalvas fica por conta da comparação com o mesmo intervalo do ano passado, quando o setor apresentou resultados fortes, apesar da intensificação da crise financeira.

"É provável que não vejamos crescimento tão expressivo quanto o visto neste segundo trimestre. Ainda assim, o desempenho deve ser positivo", afirmou o analista Rafael Cintra, da corretora Link.

Sazonalmente, os seis últimos meses do ano são os melhores para o varejo, em razão do Natal e do crescimento da massa salarial, que é impactada pelo 13o, o que fez com que as empresas de varejo sentissem o impacto da crise em suas operações, com mais força, nos três primeiros meses de 2009.

Conforme analistas, a sinalização positiva dos balanços se soma à postura mais otimista das empresas, que revisaram para cima planos de expansão.

A Lojas Americanas, que no início do ano planejava a abertura de 4 a 8 lojas em 2009, agora poderá abrir até 13 novas unidades até o final deste ano.

No próximo exercício, há potencial de inauguração de 50 lojas, segundo informou nesta sexta-feira o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Roberto Martins, numa retomada do ritmo de abertura de lojas visto em 2007.

"Houve uma mudança de sentimento. As vendas estão fluindo melhor, as empresas voltam a apresentar planos de expansão", observa o analista Alan Cardoso, da Ágora Corretora.

Para o especialista, o discurso mais otimista das companhias confirma indicadores antecedentes, como o de confiança do consumidor, que apontam para melhora mês a mês.

"É um otimismo moderado, mas já indica uma maior confiança das empresas em 2009."

Além da revisão de metas de investimento, algumas empresas e entidades representativas do setor também melhoraram projeções de vendas para o ano.

Em 29 de julho, a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) elevou de 2,5 por cento para 4,5 por cento a previsão de crescimento das vendas nos supermercados em 2009.

No acumulado do primeiro semestre, o setor de supermercados experimentou alta de 5,27 por cento nas vendas reais (deflacionadas pelo IPCA).

Ainda nessa seara, a B2W --empresa resultante da fusão entre Americanas.com e Submarino.com-- informou nesta sexta-feira que espera crescimento superior a 18 por cento nas vendas do segundo semestre, na comparação com igual intervalo do ano passado, superando o teto da projeção anterior.

A Lojas Renner, por sua vez, deve fechar o ano com vendas em mesmas lojas estáveis em relação a 2008, apesar da queda de 12 por cento verificada nos três primeiros meses do ano.

"Esperamos vendas no terceiro trimestre no mesmo nível do segundo trimestre e crescimento mais forte no final do ano", afirmou em 28 de julho o diretor administrativo e de Relações com Investidores da Renner, José Carlos Hruby.

Essa melhora de perspectiva, conforme os analistas, vem na esteira da queda menos brusca do que o esperado no consumo.

"O consumidor não deixou de comprar tanto quanto se esperava e o custo do crédito caiu muito. O cenário é mais positivo do que se previa inicialmente", disse Cardoso, da Ágora.

RECEITA MAIOR SEM PRESSÃO DE MARGEM

Um dos principais pontos destacados pelos analistas nos balanços das companhias de varejo no segundo trimestre foi a recuperação de vendas com margens ao menos estáveis.

O desempenho do grupo Pão de Açúcar ilustra bem essa trajetória, na avaliação de Cardoso, da Link. "Eles conseguiram aliar crescimento de vendas sem redução de margens por meio de controle de despesas, mix de produtos e política agressiva de preços."

No segundo trimestre, a margem Ebitda da companhia ficou em 6,9 por cento, ante 7,0 por cento um ano antes. As vendas líquidas do grupo, contudo, saltaram 18,1 por cento na mesma base de comparação, para 5 bilhões de reais.

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