PÓS-CRISE?-Para Fazenda, retomada ocorre sem pressão de preços

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil voltou a crescer em ritmo forte a partir do segundo trimestre e a ociosidade nas fábricas gerada pela crise global afasta o risco de pressão inflacionária pelo menos até o final de 2010, avalia o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Reuters |

Segundo Nelson Barbosa, a recuperação da economia real está sendo liderada pelo comércio e pelos setores de bens duráveis e de construção civil, enquanto o segmento de bens de capital ainda preocupa.

"Se o Brasil retomar o ritmo de crescimento entre 4 e 5 por cento que a gente projeta e espera para 2010, você só vai ter o uso da capacidade voltando a níveis pré-crise lá no final de 2010", disse à Reuters.

"Há espaço suficiente para o Brasil retomar taxas de crescimento rápido sem gerar pressão inflacionária, de demanda."

Barbosa destacou que um possível foco de pressão poderia vir de uma aceleração dos preços de commodities gerada por uma segunda onda de especulação de investidores internacionais, como ocorreu no ano passado. "Mas acho pouco provável que essa mini-bolha se repita", afirmou.

O secretário estima que o Produto Interno Brasileiro (PIB) tenha crescido cerca de 1,5 por cento no segundo trimestre, após dois trimestres seguidos de retração.

"No terceiro trimestre ainda é difícil ver, mas os primeiros números indicam que continua uma expansão em ritmo forte", afirmou Barbosa, destacando dados de produção de automóveis, siderurgia e energia elétrica.

Para o secretário, a crise permitiu ao Brasil uma "mudança permanente" no nível da taxa de juros, à medida que mostrou aos investidores que o país tem capacidade de atravessar bem solavancos significativos. "Houve uma mudança de percepção de risco, e isso não se deu de forma gradual."

BENS DE CAPITAL

O setor mais afetado pela crise no Brasil, como no resto do mundo, foi o de bens de capital, afirmou Barbosa.

Para evitar que a desaceleração econômica levasse as empresas a adiar até o próximo ano os projetos de investimento, o governo já promoveu reduções temporárias nas taxas de juros adotadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de bens de capital.

A próxima medida, cujo estudo já foi encomendado pelo ministro Guido Mantega, é a desoneração da folha de pagamentos para 2010, mas a iniciativa dependerá do comportamento da arrecadação tributária.

"Pode não haver espaço fiscal", disse Barbosa, acrescentando que o governo terá de avaliar o desempenho da economia no segundo semestre antes de bater o martelo.

Segundo ele, a ideia é que a desoneração seja extensiva a todos os setores, mas ela necessariamente beneficiará mais os mais intensivos em mão-de-obra, como a indústria de bens de capital, serviços e construção civil.

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