Por Peter Murphy SÃO PAULO (Reuters) - O porto de Itajaí deve reabrir em um mês, e levará seis meses para que ele retome sua atividade normal, depois que as fortes chuvas que caíram em Santa Catarina destruíram atracadouros e bloquearam um canal de acesso utilizado pelas embarcações, disse o ministro-chefe da Secretaria Nacional dos Portos, Pedro Brito, na terça-feira.

O ministro estimou em cerca de 350 milhões de reais o custo dos reparos no porto, parcialmente destruído pelas chuvas que mataram 116 pessoas e deixaram quase 70 mil desabrigados em todo o Estado.

"As chuvas destruíram os atracadouros. Nós precisamos reconstruí-los", disse o ministro à Reuters por telefone, enquanto visitava o porto na terça-feira para ver a extensão dos danos.

Imagens de TV mostraram que parte da estrutura dos atracadouros foi levada pelas chuvas para dentro do canal. E a água arrastou contêineres pelo cais do porto.

Brito afirmou que o trabalho de reconstrução incluiria medidas para proteger o porto de futuras enchentes e disse que o canal que dá acesso aos atracadouros precisa ser dragado, uma vez que o acúmulo de lodo e objetos levados pelas cheias impedem o tráfego de embarcações no local.

"Nunca houve um desastre natural com tantos mortos como vimos em Santa Catarina", disse Brito a respeito da tragédia climática que se abateu sobre o Estado desde os últimos dias de novembro.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e os proddutores têm sido forçados a usar outros portos. Segundo ele, as cargas estão sendo enviadas para os portos de Paranaguá, Santos e São Francisco do Sul (SC).

Citando dados do setor privado, Brito disse que o fechamento do porto causa um prejuízo diário de 33 milhões de reais.

Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), disse à Reuters na terça-feira que houve no porto cargas estragadas pelas chuvas. As empresas agora procuram fazer seus próximos embarques em outros portos.

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