Porto de Itajaí deixa de movimentar US$201 mi por chuvas em SC

SÃO PAULO (Reuters) - O porto de Itajaí, fechado desde a última sexta-feira por conta das chuvas que já deixaram 97 pessoas mortas em Santa Catarina, deixou de movimentar 201 milhões de dólares. O cálculo é baseado na média diária de movimentação de 33,5 milhões de dólares até outubro, segundo dados do porto.

Reuters |

Dois dos três berços de atracamento do porto foram destruídos pela força da correnteza, segundo a assessoria, e o que sobrou só será liberado para operação após a realização de uma perícia técnica, o que deve acontecer até sexta-feira.

"Um dos armazéns perdeu o piso junto com o berço. Ele tinha produtos apreendidos pela Receita Federal e parte desses produtos foram embora com a correnteza", disse a porta-voz à Reuters por telefone. O porto de Itajaí dispõe de um segundo armazém, também usado para guardar produtos apreendidos pela Receita.

A recuperação total do porto de Itajaí, usado principalmente para a exportação de carne congelada --especialmente de frango e suínos-- e para a importação de maquinário agrícola, deve durar seis meses, segundo estimativas da prefeitura da cidade, localizada a cerca de 100 quilômetros da capital Florianópolis.

A assessoria de imprensa da Sadia, empresa que usa o porto de Itajaí para escoar suas exportações, informou que o fechamento não gerou "impactos significativos" nas vendas externas. A empresa já transferiu embarques para os portos de Santos, Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC).

A Perdigão, que também exporta através de Itajaí, afirmou que ainda não dispõe de informações sobre eventuais impactos.

O ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito, deve ir a Itajaí na terça-feira da semana que vem para avaliar os danos causados pela chuva, segundo nota da secretaria.

Abastecimento de gás

As chuvas também provocavam desabastecimento de gás em empresas gaúchas. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), cerca de 90 empresas sofriam impacto do rompimento de um duto de gás na cidade de Gaspar, em Santa Catarina, consequência da movimentação de terra provocada pelas fortes chuvas.

De acordo com a assessoria de imprensa da Fiergs, os setores mais atingidos são metal-mecânico, siderúrgico e cerâmico. Empresas instaladas no Pólo Petroquímico de Triunfo, a 75 quilômetros de Porto Alegre, também foram afetadas.

A assessoria de imprensa da Gerdau informou em nota que "em razão da solicitação da Sulgás, suas unidades em Sapucaia do Sul e Charqueadas não estão mais utilizando o gás natural como combustível. Em consequência, as plantas reduziram parte das suas atividades, anteciparam manutenções que já estavam programadas em alguns equipamentos e transferiram produção de alguns produtos para outras unidades industriais da Gerdau".

O comunicado acrescenta que as unidades estão preparadas para a utilização de combustíveis alternativos, como GLP e diesel, o que já está sendo feito em algumas etapas do processo de produção.

A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), que opera o gasoduto, prevê que o reparo do duto danificado demorará 21 dias. A operadora colocou em vigor um plano de contingência que prevê o envio de 30 mil metros cúbicos diários de gás o que, de acordo com a TBG, é suficiente para atender o comércio, os consumidores residenciais e os hospitais.

(Por Eduardo Simões, com reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.)

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