Por governo estadual, Alckmin se reaproxima com o DEM

A disputa pelo governo de São Paulo passa pela reunificação de PSDB e DEM no Estado. O primeiro precisa do tempo de TV e do apoio do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O segundo vê na disputa pelo governo do Estado mais populoso do país a chance de minimizar os estragos gerados pela gestão de José Roberto Arruda (que saiu do partido, foi afastado do cargo e preso por suspeita de corrupção e obstrução da Justiça) no Distrito Federal. A união está sendo sedimentada e deve reunificar as duas forças que se separaram por conta da disputa eleitoral de 2008.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

O candidato desta união será o mesmo que ajudou a fragmentá-la, dois anos atrás: Geraldo Alckmin. Líder nas pesquisas de intenção de votos, o atual secretário de Desenvolvimento do Estado irá se desincompatibilizar do cargo até o fim do mês e seu nome deve ser lançado antes de 10 de abril, data prevista para que José Serra seja anunciado oficialmente como nome do PSDB para a disputa presidencial. Nesta sexta, Serra deixou claro que será candidato.

Alckmin foi eleito vice-governador na chapa vitoriosa de Mario Covas, em 1994, e reeleito para o mesmo cargo quatro anos depois. Assumiu o governo com a morte de Covas em 2001, sendo reeleito governador em 2002. Deixou o posto para concorrer à Presidência da República em 2006, quando acabou derrotado, em segundo turno, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ensaiou um retorno, candidatando-se a prefeito de São Paulo em 2008. Sua decisão de seguir adiante na disputa rachou o PSDB _parte do partido apoiava o prefeito Gilberto Kassab, que havia assumido o posto após a renúncia de Serra em 2006, justamente para disputar e vencer a corrida pelo governo estadual.

Com apoio restrito dentro do partido, Alckmin iniciou a campanha em primeiro lugar nas pesquisas, mas não foi nem para o segundo turno, que viu o embate entre o vitorioso Kassab e a petista Marta Suplicy.
Após a derrota para a prefeitura, setores do partido acreditavam que ele estaria fora do páreo para pleitear uma candidatura ao governo de São Paulo. Mas foi incorporado ao secretariado de José Serra. Nos bastidores, refez as costuras políticas. O PSDB entende que precisa de uma candidatura sólida no Estado para não criar problemas a Serra.

Estamos unidos, em toda nossa postura. São posições fundamentais, termos uma boa vitória em nosso Estado. É condição necessária, mas não suficiente para ganharmos eleições _São Paulo sozinha não ganha nada_, precisamos ir bem aqui, afirma o presidente do PSDB estadual, deputado Antônio Carlos Mendes Thame.

Temos que estar unidos. Mas unido mesmo. Serra, Geraldo, Goldman, Aloysio, diz, em referência a outros postulantes ao Palácio dos Bandeirantes, como o atual vice-governador Alberto Goldman e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira.

Aloysio já avisou a deputados estaduais e federais que compõem sua base de apoio que não será candidato a governador. Vai tentar a indicação do partido para o cargo de senador. Na composição da chapa, a vaga de vice deve ficar com o DEM e o principal nome para ocupá-la é o de Guilherme Afif Domingos, secretário estadual do Trabalho.

Um das candidaturas ao Senado será ocupada por um tucano. A outra deve caber ao PMDB _apesar de o partido apoiar nacionalmente Dilma Rousseff (PT) para a Presidência, irá acompanhar os tucanos em São Paulo.

O PSDB está montando uma estrutura para que haja diálogo entre a campanha estadual e a nacional. A tentativa é afastar a possibilidade de rompimento de discurso ou problemas que possam criar empecilhos para Serra. Discute-se até a hipótese de que o marqueteiro das duas campanhas seja um só: o publicitário Luiz Gonzalez.


O DEM acredita que se restabelecer em São Paulo é importante porque: a disputa presidencial será acirrada, com, no entender do partido, menos certeza de vitória do que no Estado; como perdeu o único governo que administrava (DF), diante de denúncias de corrupção, e como não tem candidaturas competitivas em grandes Estados, poderia usar São Paulo para ter uma marca administrativa; como aconteceu com Kassab na prefeitura, poderá eventualmente herdar um governo mais adiante; o próprio prefeito deve ter dificuldade para que seu sucessor em 2012 seja escolhido dentro do seu partido.

O principal adversário dessa composição deve ser o senador Aloizio Mercadante (PT), que negocia a atração de partidos como o PCdoB e o PDT para sua base. O PSB ainda estuda o lançamento de um candidato próprio.

O PT deve centrar fogo na questão de que o PSDB está no poder há muito tempo, desde 1995, e que os paulistas deveriam dar uma chance ao partido, da mesma maneira como o país deu uma chance a Lula e foi bem sucedido. Esse era o espírito da propaganda eleitoral divulgada por Mercadante _e que foi vetada pela Justiça Eleitoral.

Já os tucanos vão se fiar nas obras realizadas e ressaltar a redução de impostos promovida pelo Estado, o aumento da desoneração e avanços na área de Saúde Pública e na expansão das vagas no ensino técnico. Esse discurso também deverá ser utilizado para tentar fustigar a administração Lula.

Vamos esperar ou até abril ou até o fim de março, deixar acabar as águas de março, disse Alckmin, sobre sua candidatura.

    Leia tudo sobre: alckmineleiçãoestados

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG