O arcebispo do Recife, d. José Cardoso Sobrinho, sucessor de d.

Hélder Câmara, já deveria estar aposentado, pois em 30 de junho de 2008 completou 75 anos, idade em que bispos devem apresentar sua renúncia ao papa. O Vaticano costuma deixar passar meses e até anos para aceitar o pedido de renúncia. D. José se tornou pivô de polêmica após declarar a excomunhão dos médicos que realizaram aborto em uma menina de 9 anos, de Alagoinha, grávida após ser estuprada pelo padrasto. A mãe da garota também foi excomungada.

No Recife, a demora para a escolha do sucessor de d. José Cardoso se explica pelo fato de se tratar de uma arquidiocese estratégica, para a qual não é fácil escolher o nome ideal. Quando o próprio d. José Cardoso foi nomeado para o lugar de d. Hélder, por exemplo, o cardeal Sebastiano Baggio, que havia sido núncio apostólico no Brasil e prefeito da Congregação para os Bispos, não gostou da escolha. Conservador de linha dura, d. José entrou em choque com o clero logo após a posse, quando mandou fechar seminários que adotavam “métodos liberais”.

O jornal católico francês La Croix (A Cruz) publicou ontem editorial com críticas à atitude do bispo. Escrito por uma mulher, Dominique Quinio, que apesar de concordar com a defesa da vida desde a concepção, ela afirma que, no caso, havia outra vida a ser protegida, “também muito frágil, a de uma menina já ferida tão dolorosamente”. Ela conclui afirmando que a atitude do arcebispo “é contrária à mensagem de vida que a Igreja quer fazer ouvir”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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