O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra divulgou uma carta aberta para dizer que se converteu em “bode expiatório”. O documento é uma resposta à reportagem do Estado que revelou documento assinado por ele, quando comandava o Destacamento de Operações de Informações (DOI), do 2º Exército.

O relatório de Ustra, feito a mando dos superiores em 1972, detalha as circunstâncias da morte do estudante Antônio dos Três Reis Oliveira, militante comunista da Ação Libertadora Nacional (ALN), e da operária Alceri Maria Gomes da Silva, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

VPR e ALN eram organizações de esquerda que pegaram em armas contra o regime militar. Os dois militantes desapareceram em maio de 1970. Seus corpos nunca foram achados e o Exército jamais assumiu as mortes. Só nos anos 90 surgiram documentos do Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo e um relato de três linhas da Aeronáutica dizendo que os dois estavam mortos. Ustra é alvo de ações na Justiça que buscam responsabilizá-lo por violações dos direitos humanos.

Em sua carta, Ustra afirma que “sites de esquerda e livros escritos pela esquerda” consideram os militantes como mortos. Diz que, quando eles morreram, servia na 2ª Seção do Estado-Maior do 2º Exército - trata-se da seção responsável pela área de informações, ligada ao órgão operacional de repressão, o DOI, que na época da morte de Oliveira e Alceri se chamava Operação Bandeirantes (Oban).

Ustra diz que a Oban/DOI era chefiada pelo major Waldyr Coelho. Ustra sucedeu a ele em setembro de 1970 e comandou o DOI até 1974. “Portanto, nada tenho que ver com a morte de Antônio dos Três Reis Oliveira.” O oficial segue dizendo: “Se assinei o ofício 572/72-E/2-DOI, em 21 de agosto de 1972 (...), deve ter sido em resposta a algum documento recebido. As informações solicitadas devem ter sido obtidas nos arquivos da antiga Operação Bandeirantes.” Na verdade, o arquivo da Oban passou para o DOI. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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