Por Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em novembro índice semelhante ao período pré-crise financeira internacional, mostrou nesta segunda-feira pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O governo recebeu "ótimo" ou "bom" por 72 por cento dos entrevistados em novembro, acima dos 69 por cento em setembro. Já a aprovação ao presidente passou para 83 por cento, ante 81 por cento em setembro. O recorde foi de 84 por cento em dezembro de 2008.

Há um ano, portanto no início do impacto da crise global no Brasil, Lula exibia 73 por cento de popularidade, o maior índice desde que assumiu a Presidência. Agora, tem apenas um ponto percentual a menos.

"Há uma recuperação. Houve melhora em todos os segmentos com relação à avaliação do governo Lula", afirmou Rafael Luchesi, diretor de Operações da CNI.

Mais uma vez, a economia é o motor dessa aprovação, que cresceu também entre pessoas de nível superior de escolaridade.

Segundo o Ibope, o brasileiro está extremamente otimista com o ano de 2010, com 92 por cento (ante 85 por cento em setembro) prevendo o ano que vem como "bom" ou "muito bom."

"A pesquisa registra um surpreendente otimismo, a mais alta taxa já registrada", acrescentou Luchesi.

"Dadas as expectativas diante da crise, o balanço que os brasileiros fazem é um balanço positivo deste ano", disse.

A sondagem mostra que 57 por cento dos brasileiros aprovam a atuação do governo no combate ao desemprego, contra 55 por cento na apuração anterior.

A pesquisa, porém, "captou contradições" na percepção do brasileiro, sustentou Luchesi. Para 49 por cento, haverá aumento da inflação nos próximos seis meses, assim como 42 por cento apostam no aumento do desemprego.

"Neste momento (essa expectativa de maior inflação e desemprego) não se reflete no conjunto das avaliações de governo", argumentou Amauri Teixeira, responsável pela pesquisa.

Em dezembro de 2008, 67 por cento acreditavam que a inflação aumentaria. No mesmo período, 63 por cento diziam que o desemprego iria aumentar nos seis meses seguintes.

EFEITO APAGÃO

A queda no fornecimento de energia em 18 Estados no início de novembro e a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil foram os assuntos espontaneamente mais lembrados pelos entrevistados. A pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff aparece em décimo lugar.

"(Mas) esses assuntos não impactaram nem na imagem nem na popularidade do presidente", ponderou Teixeira.

O encontro de Lula com o colega iraniano ocupou as páginas dos jornais brasileiros e estrangeiros. Na ocasião, Lula defendeu o programa nuclear iraniano para fins pacíficos.

Para as prioridades de 2010, os entrevistados apontaram, sobretudo, os temas da segurança pública, educação e combate à corrupção.

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