Representante de indígenas diz que muitas informações captadas não são revertidas em políticas públicas

A unificação das bases de dados de programas sociais no Cadastro Único pode aliviar um dos estigmas das classes mais carentes do país, que reclama de muitas vezes ser ouvida sem que o levantamento se torne uma ajuda real.

A versão mais recente do CadÚnico, disponível em 2.237 municípios, tem campos específicos para indígenas, quilombolas, ciganos, pescadores tradicionais, ribeirinhos, povos de terreiros e extrativistas, como seringueiros e quebradeiras de coco. Dessa forma, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate á Fome (MDS) quer ter dados mais completos para a eventualidade de um novo programa necessitar dessas infiormações, sem ter de ir a campo novamente.

“Não é preciso mais uma fonte de informação. A relação da população indígena, seu território e hábitos socioeconômicos já são contemplados por levantamentos da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e tantos outros ministérios, inclusive o de Desenvolvimento Social”, diz .o vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Liebgott. O Cimi representa entidades indígenas perante projetos do MDS.

Para ele, em boa parte dos casos, as informações captadas não são revertidas em benefícios reais. “Há muita coleta de dados, o que demonstra falta de sincronia e ações pulverizadas. Isso não vai contribuir com a demarcação”, diz.

Segundo a diretora do cadastro no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Letícia Bartholo, a identificação desses grupos pode servir a três propósitos: a caracterização socioeconômica de pessoas vulneráveis, a identificação de especificidades que podem gerar novos programas sociais e a comprovação de moradia para demarcação de terras, no caso dos indígenas e quilombolas.

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