Ponte JK receberá novos aparelhos de sustentação

Após reparo emergencial com "calço" de madeira, estrutura em Brasília que não passou pela devida manutenção terá partes novas

Gabriel Costa, iG Brasília |

Nivelada com o uso de placas de madeira como “calço” desde a última sexta-feira, um dia após ter sido interditada, a ponte Juscelino Kubitscheck, em Brasília, deverá receber em breve quatro novos aparelhos de sustentação. De acordo com o governo do Distrito Federal, hoje é a data limite para que a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) receba o projeto final da troca nos trechos em que foram indicados pela vistoria técnica realizada na sexta.

Clique na quarta coluna para aproximar a imagem do calço de madeira
Os novos aparelhos devem ser comprados ainda esta semana, em caráter emergencial e com a supervisão do Tribunal de Contas do DF. Outra prioridade é a conclusão da licitação para definir a empresa que ficará responsável pela manutenção regular da estrutura. “É uma concorrência pública, que as empresas que estão capacitadas no Brasil inteiro se inscreverão e disputarão para fazer o monitoramento da ponte, que é uma situação que a gente entende que já deveria ter acontecido”, diz o secretário de Obras, Luiz Carlos Pitiman, ex-presidente da Novacap.

Inaugurada no fim de 2002, a ponte não recebeu a manutenção prevista ao longo das últimas administrações. Um contrato de análise mensal das condições da estrutura por meio de sensores – assinado quando o atual vice-governador, Tadeu Filipelli, ocupava o cargo de secretário de Obras – venceu em 2005 e não foi renovado.

Afetado pelo desgaste natural e ausência de manutenção, um dos aparelhos que, apoiados em bases submersas, mantêm o nivelamento da pista, cedeu o suficiente para que a estrutura apresentasse um desnível de cerca de quatro centímetros. A fissura resultante acarretou nas oscilações sentidas por motoristas que passaram pelo local na quinta-feira, dia 20, quando as seis faixas da ponte chegaram a ser totalmente interditadas por cerca de seis horas.

Para realizar o reparo emergencial, os técnicos usaram o peso de um caminhão para nivelar a pista e abrir espaço para a inserção dos calços de madeira. Uma plataforma do Corpo de Bombeiros também foi utilizada. A Novacap informou que vai promover vistoria permanente nos trechos afetados até a substituição definitiva dos aparelhos de apoio.

A ponte está liberada para a passagem de veículos leves e ônibus, com  a velocidade máxima limitada em 40km/h. O tráfego de caminhões continua vetado, embora a comissão técninca tenha reafirmado a estabilidade da ponte.

Mais de 30 mil veículos passam diariamente pela estrutura que, segundo especialistas, deveria ser vistoriada a cada três anos. Inicialmente orçada em R$ 40 milhões, em 1998, a ponte custou pelo menos quatro vezes mais, e teve a inauguração adiada mais de uma vez até ser realizada no fim do terceiro mandato de Joaquim Roriz como governador do DF. Em 2007, denúncias de irregularidades no projeto e superfaturamento da obra em cerca de R$ 26 milhões foram levantadas pelos Tribunais de Contas da União e do DF. O dinheiro até hoje não foi devolvido aos cofres do governo.

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