Ponte desaba e deixa desaparecidos no Rio Grande do Sul

AGUDO - A Defesa Civil do Rio Grande Sul procura na tarde desta terça-feira vítimas do desabamento de uma ponte sobre o rio Jacuí, em Agudo. Segundo o governo gaúcho oito pessoas foram resgatadas com vida e mais de 10 continuam desaparecidas. A ponte no km 191 na RSC-287 teve a sua estrutura danificada devido à correnteza e desabou por volta das 9 horas de hoje.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Segundo o site do governo gaúcho, a Base Aérea de Santa Maria chegou a confirmar pelo menos sete mortes. A informação, no entanto, foi desmentida no início da noite pela assessoria de imprensa do governo.

As autoridades locais consideram cada vez mais remota a possibilidade de encontrar sobreviventes. "A forte correnteza do rio Jacuí, a sua cor barrenta e a chuva que ainda cai estão dificultando a operação de resgate das pessoas e a previsão de encontra-las com vida é cada vez mais remota", diz o informe da assessoria de imprensa do Palácio Piratini, com base no relato de asessores que acompanham a governadora Yeda Crusius, que pessoalmente a Agudo verificar a situação ao lado do comandante da Brigada Militar, secretários de Infra Estrutura, Relações Institucionais e dos prefeitos de Agudo, Restinga Seca e Santa Maria.

A prefeitura de Agudo disponibilizou um telefone especial para que os parentes e amigos informem o desaparecimento de pessoas que poderiam estar na ponte no momento do desabamento. O número é (55) 3265-1144.


Ponte antes (Google Maps) e depois do desabamento (Lauro Alves/RBS)

No início da tarde um pedaço de outra ponte, também na BR-286, desabou deixando dezenas de pessoas isoladas e dificultando ainda mais o trabalho da Defesa Civil. Segundo o Palácio Piratini, mais de 50 curiosos acompanhavam, a cerca de 40 km de Agudo, o trabalho de resgate quanto um trecho desabou, deixando todos isolados entre as duas pontes. Para evitar uma nova tragédia, os helicópteros que faziam a busca de possíveis sobreviventes tiveram que interromper o trabalho para retirar estas pessoas.

Socorro às vítimas

O secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, solicitou o envio de duas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) móveis que estavam em Santa Cruz do Sul para ajudar no atendimento às vítimas do desabamento. O comando da Brigada Militar (a polícia gaúcha) coleta informações sobre desaparecidos com parentes e amigos.

De acordo com informações iniciais, 100 dos 300 metros da estrutura da ponte teriam desabado. O vice-prefeito de Agudo, Hilberto Boek, estaria no local e ainda não foi localizado, segundo informações preliminares.

Quatro helicópteros da corporação e da Força Aérea sobrevoam a região à procura das vítimas. Os bombeiros também utilizam botes para procurar por sobreviventes.

A ponte estava interditada para o tráfego de veículos desde a tarde de segunda-feira (4) em razão do transbordamento do Rio Jacuí. De acordo com os bombeiros, as pessoas estavam no local presenciando a forte correnteza do rio quando as águas, que traziam muitas árvores, destruíram a estrutura da ponte, que acabou cedendo.

Para quem segue da região de Santa Maria em direção a Porto Alegre, a Polícia Rodoviária Estadual indica utilizar a BR 392 até o acesso a BR 290, que segue para a capital.

Pontes interditadas

A Brigada Militar de Agudo (RS) decidiu interditar outras três pontes de pequeno porte na cidade devido ao aumento do nível de água do rio Jacuí. "A correnteza está muito forte e há risco de que os pilares não aguentem", diz o presidente da Câmara Municipal, Paulo Roberto Unfer.

Segundo ele, a cidade está praticamente ilhada. "Talvez haja um caminho por Cachoeira do Sul, mas as estradas estão todas bloqueadas", relata.

Unfer afirma que, além da queda da ponte sobre o Jacuí, dezenas de casas estão alagadas. "Tem muita enchente, muita casa alagada. Os maiores prejuízos foram nas lavouras de arroz."

Pelos relatos ouvidos, Unfer acredita que o problema ocorreu em um dos pilares. "A água não estava passando por cima. Pelo que me disseram, a ponte foi descendo devagar, aos poucos. Não foi de uma vez. Acredito que os pilares devem ter sido corroídos pelo tempo. A ponte tem mais de 45 anos, foi construída pelo (Leonel) Brizola (ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro)."

Unfer diz ter esperança que os desaparecidos, entre eles o vice-prefeito Hilberto Boeck, sejam encontrados com vida. "Tinha muito mato embaixo do lugar onde eles estavam. Podem ter se agarrado a uma árvore ou se deixado levar pela correnteza."

Veja a localização de Agudo no mapa abaixo :

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*Com informações de Marina Morena Costa, iG São Paulo, Agência Estado e Agência Brasil

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